Professora de universidade na Alemanha nega que Decotelli tenha obtido apoio de empresa para fazer pós-doutorado


Brigitte Wolf afirma que ministro da Educação submeteu tese à empresa, que não demonstrou interesse. Decotelli teria voltado ao Brasil para continuar a pesquisa. Professora na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, Brigitte Wolf, afirma que o ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli não obteve apoio da empresa Krone para fazer a pesquisa de pós-doutorado, conforme ele afirma em seu currículo na plataforma Lattes.
A TV Globo e o G1 entraram em contato com a empresa e o Ministério da Educação (MEC), mas até as 11h desta terça-feira (30), não havia recebido resposta.
A plataforma Lattes integra dados de currículos, grupos de pesquisa e de instituições em um único sistema. Ela é autodeclaratória – são os próprios pesquisadores que atualizam os dados – e é considerada um padrão nacional para registro da vida acadêmica. O sistema está ligado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC).
Currículo Lattes de Decotelli, atualizado na segunda-feira (29) traz a informação de que a pesquisa de doutorado teve apoio da empresa Krone.
Reprodução/Plataforma Lattes
Em resposta à TV Globo, Brigitte Wolf afirma que Decotelli pediu apoio à Krone, mas a empresa não teve interesse em cooperar.
“Carlos Decotelli veio a Wuppertal com a intenção de cooperar com a empresa Krone. Ele estabeleceu contato com um representante no Brasil. O professor Maser e eu o acompanhamos para visitar a sede alemã da empresa. Mas a empresa Krone não mostrou interesse em cooperar com Carlos Decotelli no projeto que ele propôs. Depois que a empresa negligenciou o projeto, Carlos Decotelli mudou de assunto, voltou ao Brasil e continuou sua pesquisa no Brasil”, afirmou.
A cerimônia de posse de Decotelli, marcada para segunda-feira, foi adiada. Após encontro com Bolsonaro, Decotelli afirmou que seguia sendo o ministro da Educação.
Integrantes da ala ideológica tentam convencer o presidente Bolsonaro a desistir da nomeação após as inconsistências serem apontadas.
Erros no currículo
Carlos Alberto Decotelli tenta explicar incongruências do currículo
Anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro na última quinta-feira (25) como o novo ministro da Educação, Decotelli acumula ao menos outras três polêmicas sobre a sua formação acadêmica:
declaração de um título de doutorado na Argentina, que não foi obtido;
denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas (FGV);
pós-doutorado na Alemanha, não realizado
Terceiro ministro da Educação na gestão Bolsonaro, Decotelli terá quatro principais desafios à frente da pasta: a aprovação do Fundeb no Congresso, a realização do Enem 2020, a implantação da BNCC e o apoio aos estados e municípios na gestão da educação na pandemia.