Processo de abuso sexual contra executivo do Alibaba é arquivado na China


Gigante do varejo on-line o demitiu após pressão de funcionários e a polícia chegou a prendê-lo em agosto, mas autoridades chinesas não levaram o caso para frente. Fachada da Alibaba em Hangzhou, na província de Zhejiang, no leste da China, em maio de 2016
AP Photo/Ng Han Guan
Promotores chineses arquivaram um processo contra um ex-executivo do Alibaba, a maior empresa de comércio eletrônico da China, acusado por uma funcionária de abuso sexual.
A mulher acusou o homem, cujo sobrenome é Wang, de fazer vista grossa enquanto era obrigada a consumir álcool e molestada durante um jantar com um cliente em uma viagem de negócios em Jinan, no norte da China. Ela disse que Wang entrou em seu quarto de hotel e a agrediu sexualmente enquanto ela estava bêbada.
Após a denúncia, a polícia deteve o ex-executivo em agosto. Sua prisão não foi aprovada, embora ele tenha tido que cumprir uma detenção de 15 dias, de acordo com uma declaração publicada no site de mídia social Weibo pela polícia de Jinan na última segunda-feira (6).
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A decisão atraiu críticas generalizadas on-line, com muitos chineses lamentando a falta de proteção para as mulheres em casos de abuso sexual. Alguns disseram que a detenção de 15 dias de Wang sugeria que ele não era totalmente inocente.
No Weibo, a esposa de Wang agradeceu a sua equipe de advogados em um post na manhã de terça-feira (7). Anteriormente, ela acusou a funcionária de tentar incriminar seu marido.
Wang foi demitido depois que a mulher postou um relato de 8.000 palavras com as acusações em um post nos fóruns internos do Alibaba e disse que o departamento de recursos humanos da companhia ignorou suas queixas.
O Alibaba também pediu a dois executivos seniores que se demitissem pelo tratamento do caso. O presidente-executivo da empresa, Daniel Zhang, comprometeu-se a estabelecer uma política antiassédio sexual com “tolerância zero”.
“O Grupo Alibaba tem uma política de tolerância zero contra a má conduta sexual, e garantir um local de trabalho seguro para todos os nossos funcionários é a principal prioridade da Alibaba”, disse a empresa em uma declaração na terça (7).
O movimento global #MeToo contra o assédio sexual ganhou destaque na China nos últimos anos, com acusações feitas contra vários acadêmicos, um âncora de TV e celebridades. Mas as condenações são raras.
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