Preta Gil lança ‘Meu Xodó’ com filho Fran e diz que essa música a resgatou do ‘fundo do poço’ na pandemia


Música sai nesta sexta (6) e terá clipe com participação de neta e marido. Ao G1, Preta também fala sobre trabalho como ‘olheira’ na Mynd e descarta possibilidade de fazer bloco de carnaval em 2022. Preta Gil e Francisco sabiam que o encontro na música, além das cantorias caseiras, ia acontecer uma hora ou outra, mas não imaginavam que seria tão especial.
“Meu Xodó”, primeiro single em que mãe e filho estão juntos, sai nesta sexta (6) e tem um significado de renascimento para a cantora.
Desde o começo da pandemia, ela diz que se desconectou da música e passou por períodos bem tristes, com a situação do mundo de maneira geral e, mais especificamente, com as mortes da avó e do “amigo-irmão” Paulo Gustavo.
Ela também foi uma das primeiras artistas a contrair o vírus no ano passado.
“Se não fosse o Fran, eu talvez tivesse perdido a minha voz mesmo, porque sou intérprete, não sei tocar instrumento. Ele foi me estimulando o tempo inteiro a não entrar nessa bad total”, explica ao G1.
“Minha mãe sempre me falou que fundo do poço tem mola e ‘Meu Xodó’ foi a mola do meu fundo do poço”, diz o filho, direto de Salvador.
O filho, de 26 anos, e a mãe, de 46, chegaram a fazer lives caseiras em que Fran tocava e eles iam cantando juntos, mas o single é o primeiro que Preta lança desde março do ano passado.
“Essa música veio como uma boia de salvação, me apaguei e agora estou começando a respirar de novo. É muito simbólico, esse processo ter vindo atrás do Francisco, meu filho”.
“Ele viu muito do meu sofrimento, da minha tristeza, de eu estar paralisada, sem conseguir me conectar com a música. Ele foi meio estímulo, então pegava o violão do meu lado e cantava”.
Sempre atento à mãe, Fran escreveu a música justamente com o objetivo de levantar a poeira. “Ficava botando pilha nela”, diz.
Referências do começo da carreira de Preta
Preta Gil lança música ‘Meu Xodó’, com o filho Francisco
Divulgação
A música é um afoxé funk, como define Preta, e mostra bem a identidade de Fran como compositor e produtor.
Ele lançou a carreira solo com o álbum “Raiz”, em janeiro de 2020, que remete à ancestralidade e sons da Bahia, e também tem chamado atenção com o trio Gilsons, ao lado do tio José e do primo João.
MAURO FERREIRA: Fran soa leve em álbum solo em que revolve com frescor a raiz baiana do avô
“O desafio foi encontrar algo que soasse com meu trabalho, mas, acima de tudo, com a minha mãe. Foi, mais uma vez, um exercício de ir a fundo nas raízes, porque sinto que toquei no que ela fazia lá atrás”, explica Fran.
“Bebo muito das referências que a minha mãe trouxe nos dois primeiros discos dela”, continua ao falar sobre “Prêt-à-Porter” (2003) e “Preta” (2005).
Ele celebra a cena baiana da qual faz parte ao lado de Luedji Luna, Xênia França, Baiana System, entre outros artistas.
Preta Gil com a neta, Sol de Maria, no clipe de ‘Meu Xodó’
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Na mesma hora, Preta percebe que esse tipo de unidade, no sentido musical mesmo, não existia no começo dos anos 2000.
“Quando comecei as pessoas estranhavam e não sabiam em que prateleira colocar o meu som. Eu falava e parecia ET conversando nos programas, falava que fazia afoxé funk e as pessoas não entendiam”, explica a cantora.
“‘Meu Xodó’ é até uma volta para minha raiz. Depois de 20 anos, eu consigo gravar um afoxé funk com coletividade. Hoje existe um coletivo, é um som compreendido no mercado”.
O clipe que fica disponível também nesta sexta tem a participação da neta Sol de Maria e do marido Rodrigo Godoy, além da voz de Gilberto Gil.
Olheira da Mynd8
Esse Menino, Luísa Sonza, Douglas Souza e Camilla de Lucas são alguns dos artistas contratados na Mynd8, agência de Preta Gil
Divulgação; Angela Weiss/AFP
Se a carreira na música ficou parada no último ano e meio, o lado empresária de Preta está a todo vapor. A cantora é sócia de Fátima Pissarra na agência Mydn8.
Elas trabalham com Luísa Sonza, Pabllo Vittar, Camilla de Lucas e mais alguma dezenas de artistas e influenciadores.
A empresa até virou meme pela rapidez com que acontece algumas contratações de pessoas que bomba nas redes sociais.
Preta diz que ela mesma é uma das “olheiras” da empresa, está sempre antenada, mas nega que é tudo muito rápido.
“Virou piada, a gente acha graça, ri, mas não condiz com a realidade. Isso é raro de acontecer”, diz.
Até Douglas Souza, jogador de vôlei revelação das Olímpiadas de Tóquio, foi contratado pela empresa.
Ele entrou para o casting nos primeiros dias dos Jogos, mas, segundo a cantora, o contato veio por parte do empresário do atleta e antes do embarque para o Japão.
Situação diferente de Esse Menino, o humorista que viralizou com o vídeo da “Pifaizer”.
“Eu sigo ele desde quando tinha 10 mil seguidores. Quando estourou o vídeo, eu falei ‘ó, estou aqui, coloco a minha agência à disposição”, explica.
Ela diz que o criador do vídeo recebeu outras propostas, mas optou por ficar com a Mynd.
“As pessoas estão com a gente por escolha própria, seja antes do estrelato, depois ou durante… O nosso tesão é transformar a vida dos outros”.
A cantora diz que trabalha diariamente na agência e é demandada “toda hora”.
“Fico na função de desenvolver uma curadoria em relação a casting, de fazer a olheira, de estar sempre ligada. Alguns artistas sou mais ativa, tenho uma participação maior, mas são quase 200 talentos”.
“Sou uma espécie de coach, de terapeuta e de mãe. A maioria me chama assim, então o Francisco me divide com uma galera”, diz e solta uma gargalhada.
Preta vai fazer Carnaval em 2022?
A cantora Preta Gil arrasta foliões em São Paulo durante o desfile do “Bloco da Preta”, no Obelisco do Ibirapuera, em 2020
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Por mais que “Meu Xodó” simbolize um momento de reconexão com a carreira, por enquanto as pessoas só vão ouvir Preta Gil cantar através dos aplicativos de música e do YouTube.
Ela não tem previsão de voltar a fazer shows e nem cogita fazer o tradicional Bloco da Preta em 2022.
‘Não tenho condição emocional de pensar. Imaginar carnaval de rua com ainda 20% da população vacinada com duas doses é perder tempo, é criar uma expectativa para se frustrar”
“Para voltar a ter aquele carnaval com milhares de pessoas, a gente vai precisar de pelo menos 70% da população vacinada com duas doses. No Brasil negacionista que a gente vive? Não consigo imaginar isso [no começo de 2022]”.
“Só vou conseguir ter o sentimento de voltar aos palcos, de pensar em um novo show, quando o senhorzinho da OMS falar que pode”, finaliza ao se referir a Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da organização.