‘Precisamos ser vigilantes’, diz única brasileira em Cúpula dos Líderes sobre o Clima


Evento foi convocado pelo presidente dos EUA, Joe Biden. A líder Wapichana Sinéia do Vale e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foram os únicos brasileiros a discursar. Sinéia do Vale, liderança indígena wapichana, participou da cúpula em transmissão desde Boa Vista (RR), em 22 de abril de 2021
Reprodução/Leaders Summit On Climate
A líder indígena wapichana Sinéia do Vale, única brasileira a participar da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, disse nesta quinta-feira (22) que é preciso “ser vigilante” para que as políticas de preservação no Brasil sejam implantadas e cumpridas.
“Precisamos ser vigilantes para que toda a legislação [sobre preservação de florestas] do Brasil seja, de fato, implementada e executada”, disse Do Vale durante painel transmitido de forma remota.
A “Cúpula dos Líderes” foi organizada pelo governo dos Estados Unidos para discutir questões climáticas junto a 40 nações e começou nesta quinta com discursos dos presidentes e chefes de estado de 40 países, entre eles o brasileiro Jair Bolsonaro.
Do Vale participou de um painel ao lado da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, e outras lideranças femininas.
Do Vale e Bolsonaro são os únicos dois brasileiros que participam nos dois dias do encontro que antecede a COP 26, das Nações Unidas, marcada para novembro.
ENTENDA o que é a Cúpula de Líderes sobre o Clima?
O QUE ESTÁ EM JOGO durante a reunião convocada pelos EUA?
Abaixo, em 5 pontos, veja os principais temas em debate:
Volta dos EUA nas discussões internacionais sobre o clima
Novas metas na redução de emissões dos EUA até o fim da década
Oportunidade para o Brasil mudar a imagem de sua política ambiental
Preparação para a COP26, que acontece em novembro
Financiamento para projetos de países em desenvolvimento
Proteção e manejo de florestas
Pouco antes de sua apresentação, Do Vale antecipou que falaria sobre a vivência dos povos indígenas em meio às mudanças climáticas.
“A melhor estratégia para manter o clima sem o aumento, para não passar de 1,5 grau, é manter as florestas como elas estão, fazer o manejo das florestas”, escreveu Do Vale.
“Todos falam que a Amazônia é o pulmão do mundo, mas dentro desse pulmão moram pessoas, como povos indígenas, comunidades locais que precisam ter a garantia dos direitos e de políticas públicas para que o clima não continue aumentando”, disse a líder indígena. “Essa é a voz dos povos indígenas para o Brasil e para o mundo.”
Quem é Sinéia do Vale?
Gestora ambiental em um departamento do CIR, Sinéia foi coordenadora da Câmara Técnica de Mudanças Climáticas do Comitê Gestor da Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial em terras indígenas (PNGATI).
Ela também é membro do Comitê Indígena de Mudanças Climáticas da (APIB).
Há mais de 10 anos, a líder acompanha as discussões climáticas no âmbito internacional da A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), focada na agenda indígena e a implementação de ações em nível local, informou o CIR.
O foco da atuação da líder indígena são as ações ambientais e territoriais locais, aplicadas nas políticas públicas climáticas apropriadas aos povos indígenas. Ela organizou a primeira publicação indígena brasileira sobre enfrentamento às mudanças climáticas.
A publicação, lançada em 2014, trata das percepções das comunidades indígenas sobre as mudanças climáticas e segue com divulgação em eventos nacionais e internacionais.