Porta-voz nega que intervenção de Bolsonaro na Petrobras tenha sido ‘interferência política’

Otávio Rêgo Barros afirmou que Bolsonaro determinou suspensão de reajuste do diesel em razão do ‘impacto sobre a população’. Ações da Petrobras caíram 8,54% nesta sexta (12). O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, negou nesta sexta-feira (12) que a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras tenha sido “interferência política”.
Nesta quinta (11), a Petrobras anunciou reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel nas refinarias. Bolsonaro, então, segundo o porta-voz, telefonou para o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e determinou a suspensão do aumento.
Com a decisão de Bolsonaro, as ações ordinárias da Petrobras caíram 8,54% nesta sexta-feira; as ações preferenciais caíram 7,75%.
“Por princípio, o senhor presidente da República entende que a Petrobras, uma empresa de capital aberto, sujeita às regras de mercado, não deve sofrer interferência política em sua gestão. […] No entanto, em face do impacto sobre a população do ajuste anunciado, recomendou aguardar a implantação”, declarou Rêgo Barros após ter sido questionado sobre o assunto.
Ações da Petrobras caem mais de 8% após interferência do governo
De acordo com o porta-voz da Presidência, na próxima terça-feira (16) haverá uma reunião em Brasília entre Bolsonaro e os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Tarcísio Freitas (Infraestrutura) para discutir o assunto. Integrantes da Petrobras também participarão do encontro, segundo o governo federal.
Na reunião, acrescentou Otávio Rêgo Barros, serão discutidos os aspectos técnicos da decisão da Petrobras que levou ao reajuste de 5,7%.
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‘Não sou economista’
Mais cedo, nesta sexta-feira, Bolsonaro participou de um evento em Macapá (AP) e, em uma entrevista coletiva, afirmou ter tomado a decisão porque não é economista.
“Se me convencerem, tudo bem, se não me convencerem tudo bem. Não é resposta adequada para vocês. Não sou economista, já falei. Quem entendia de economia afundou o Brasil, tá certo? Os entendidos afundaram o Brasil”, afirmou o presidente.
Conforme o colunista do G1 e da GloboNews Valdo Cruz, assessores de Bolsonaro avaliam que faltou “sensibilidade política” à Petrobras.
Isso porque, na opinião desses assessores, o “timing” foi errado, uma vez que também nesta quinta Bolsonaro fez uma cerimônia para comemorar 100 dias de governo.
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