Por que rotina de ‘skin care’ com mais de 10 produtos não é melhor opção para peles brasileiras


Limpeza, esfoliação e hidratante demais podem machucar ou entupir a pele, dizem dermatologistas. Um grupo de mil clientes realiza massagem facial ao mesmo tempo em um estádio em Jinan, na província de Shandong, na China, com o objetivo de quebrar o recorde mundial. As mulheres receberam tratamento facial por 30 minutos
Reuters/Stringer
Em alguns casos, menos é mais. O skin care, nome popular da rotina de cuidados com a pele, é um desses casos.
Nos últimos anos, virou moda: o rolinho de jade, a rotina sul-coreana com mais de 9 passos, vitamina C, séruns, máscaras de argila e até musculação facial.
Essas rotinas de beleza com muitas etapas foram importadas e até incrementadas, com dicas que sugerem até 15 produtinhos de uma vez. Mas limpeza, esfoliação e hidratante demais podem machucar ou entupir a pele, dizem dermatologistas Natasha Crepaldi, Ana Carolina Sumam e Simone Neri, ouvidas pelo g1.
“São condutas bem arriscadas, já que envolvem muitos traumas físicos e químicos na pele, aumentando muito o risco de alergias, dermatite de contato, acne cosmética, infecções como herpes e foliculites, além de ruptura de microvasos. Não são todos os tipos de pele que toleram tantos passos”, alerta Natasha Crepaldi.
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A rotina sul-coreana de faz sucesso no país há alguns anos. Ela tem algumas variações, mas seus passos principais são estes aqui:
Remoção da maquiagem com óleo para dissolver os produtos e impurezas
Limpeza com água micelar ou sabonete para remover o que o óleo não conseguiu limpar
Esfoliação para remover células mortas
Tônico para equilibrar o pH da pele
Máscara
Essência
Sérum ou booster
Hidratação
Protetor solar
Segundo Crepaldi, ela funciona bem na Coreia do Sul porque as peles por lá são “mais resistentes”. NO Brasil, existe diferença de pele e de clima. “Lá tem um clima mais frio e seco e não tem uma pele tão oleosa quanto à nossa. A pele da brasileira é muito mais oleosa, a gente tem mais dificuldade de ter segurar sete produtos no rosto por conta do clima quente e úmido”, explica.
A recomendação para as peles brasileiras é mais simples:
Gel de limpeza de manhã e à noite, todos os dias;
Hidratante específico para o tipo de pele;
Protetor solar a cada quatro horas.
“O fundamental é a higienização bem feita da pele contra impureza e poluição, hidratação de acordo com o tipo de pele, seca ou oleosa, e a fotoproteção mesmo em ambiente fechado para diminuir o processo do envelhecimento”, explica Neri.
Os outros produtos têm uso recomendado uma vez por semana. “Um ‘plus’ seria a associação de antioxidantes durante o dia, como a vitamina C, Resveratrol, Silimarina, entre outros”, complementa Crepaldi.
O que precisa de alerta
Antes usados por profissionais, aparelhos de limpeza de pele podem ser comprados para usar em casa
Reprodução
Alguns equipamentos de uso profissional caíram nas graças da internet e nas penteadeiras caseiras, como extrator de cravo e aparelhos de radiofrequência e led. Os primeiros são baratinhos e se multiplicaram nas prateleiras de farmácias e lojas de cosméticos. Eles fizeram tanto sucesso que deram nova vida aos vídeos de extração de cravo famosos no YouTube.
Já os aparelhos passaram a ser vendidos por marcas tradicionais de eletrodomésticos e custam de R$ 200 a R$ 1,5 mil. Eles emitem corrente elétrica, ondas ultrassônicas, vibração sônica e as luzes de LED e prometem fazer limpeza, hidratação e nutrição da pele, até ação antienvelhecimento.
A dermatologista Ana Carolina Sumam diz que os equipamentos usados em casa não são tão prejudiciais porque são menos potentes que os usados por especialistas. “Os aparelhos são interessantes para ajudar no tratamento da acne e das dermatites, mas o resultado desses domésticos é bem mais discreto”, explica.
Os extratores de cravos parecem inofensivos, mas merecem cuidado. “Fazem parte protocolos profissionais de limpeza de pele, que incluem todo um preparo da pele prévio a sua utilização, em que os “cravos” são amolecidos e só alguns escolhidos para o uso do extratores. O uso irresponsável pode trazer traumas e cicatrizes”, alerta Crepaldi