Plácido Domingo deixa ópera ‘Don Carlo’ programada para Londres em julho após acusações de assédio


Em comunicado, a Royal Opera House afirmou que decisão foi em comum acordo e ressaltou que ‘não recebeu nenhuma queixa de mau comportamento’ do tenor. Plácido Domingo participa de evento em NovaYork, em 2018
Reuters/Shannon Stapleton
Acusado de assédio sexual, o tenor espanhol Plácido Domingo não estará na ópera “Don Carlo”, programada para julho, na Royal Opera House de Londres. O anúncio foi feito pela instituição britânica em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (6).
“Anunciaremos o ‘casting’ para seu papel em ‘Don Carlo’ em seu devido tempo”, afirmou a Royal Opera House, ressaltando que a decisão foi tomada de comum acordo e que a instituição “não recebeu nenhuma queixa de mau comportamento contra nosso maestro Domingo”.
A instituição “não recebeu nenhuma queixa de má conduta contra o Maestro Domingo durante o tempo que passou na Royal Opera House” ao longo de décadas de sua carreira, destacou.
O tenor, 79 anos, está imerso desde agosto em um escândalo depois que cerca de vinte mulheres o acusaram de manipulá-las, beijá-las à força ou chantageá-las, em incidentes que, em alguns casos, datam de 30 anos.
Inicialmente, Domingo negou categoricamente, mas há dez dias surpreendeu ao emitir uma declaração na qual disse que sentia “o sofrimento” causado a essas mulheres e disse que assumia “total responsabilidade por suas ações”.
No entanto, mais tarde ele considerou que suas desculpas haviam causado uma “falsa impressão”: “Eu nunca me comportei agressivamente com ninguém e nunca fiz nada para obstruir ou prejudicar a carreira de alguém”.
Já em outubro, e diante do escândalo gerado, Domingo teve que renunciar à direção da ópera de Los Angeles, que ele estava realizando desde 2003. No final de fevereiro, anunciou o cancelamento de suas apresentações no Teatro Real, em Madri, e outros cenários líricos desconfortáveis, com as acusações feitas contra ele.
“Vou me retirar das apresentações em teatros e empresas que têm dificuldades em cumprir esses compromissos”, afirmou.