Pianista Amaro Freitas celebra Milton Nascimento e Tereza de Benguela em músicas do álbum ‘Sankofa’


♪ No ano passado, o pianista e compositor pernambucano de jazz Amaro Freitas foi convidado por Milton Nascimento para tocar em gravações de Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) e Não existe amor em SP (Criolo, 2011), duas das quatro músicas de Existe amor, EP gravado por Milton com Criolo e lançado em maio de 2020.
Um ano depois, Amaro retribui o convite na forma de música em tributo ao artista carioca de alma mineira. Nascimento é uma das oito composições inéditas reunidas pelo pianista no terceiro álbum de Amaro, Sankofa, cujo lançamento está programado para 25 de junho em edição viabilizada pelo selo inglês Far Out Recordings em parceria com a 78 Rotações Produções.
O álbum chega ao mercado fonográfico em edição digital e em LP com capa criada por Acidum Project a partir de foto de Helder Tavares tratada por Carlos Mesquita.
No repertório de Sankofa, além de Milton Nascimento, Amaro Freitas também celebra ícones da resistência negra na luta contra a opressão do povo branco, sobretudo no período da escravidão.
Em rotação desde 30 de abril, Dia Internacional do Jazz, o single Baquaqua joga luz sobre a memória do africano Mahommah Gardo Baquaqua (1824 – 18??), nativo de Benim escravizado por traficantes e trazido para o Brasil, em 1845, para Pernambuco, de onde foi enviado em 1847 para o Rio de Janeiro (RJ), cidade em que conseguiu fugir para os Estados Unidos, precisamente para Nova York (EUA), onde, após passagem pelo Haiti, aprendeu a ler e a escrever, tendo a história de luta e bravura perpetuadas em livro publicado em 1854.
Na busca pelas memórias da ancestralidade do povo negro, mote do álbum Sankofa, Amaro Freitas também compôs Vila Bela, tema que saúda região do estado de Mato Grosso onde Tereza de Banguela (1700 – 1770) liderou comunidade quilombola que resistiu à escravidão por cerca de 20 anos.
Ayeye, Batucada, Cazumbá – faixa gravada com a pegada do jazz-rock – e Malakoff são outras músicas que compõem o repertório inteiramente inédito e autoral gravado pelo pianista com Jean Elton (baixo acústico) e Hugo Medeiros (bateria e percussão), músicos que compõem o Amaro Freitas Trio com este instrumentista pernambucano já celebrado no circuito internacional do jazz.
Sucessor dos álbuns Sangue negro (2016) e Rasif (2018) na discografia de Amaro, Sankofa é álbum produzido pelo próprio Amaro Freitas e gravado no estúdio Carranca, no Recife (PE), com recursos financeiros do edital Natura Musical.