Peugeot 2008 turbo automático: primeiras impressões


Com atraso de quatro anos, marca francesa ‘casa’ câmbio automático com o motor turbo. Conjunto é equilibrado e anda bem, e pode ser boa opção na casa dos R$ 100 mil. Peugeot 2008 THP automático
Fábio Tito/G1
Desde abril de 2015, quando foi lançado, o Peugeot 2008 tem recebido críticas por não ter câmbio automático em sua versão topo de linha.
Passados quase 5 anos, a marca francesa finalmente corrigiu a falha de seu carro mais vendido no Brasil, ao lançar a versão mais completa, Griffe, com motor 1.6 turbo de 173 cavalos e transmissão automática de 6 marchas.
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Só que agora pode ser tarde demais. Nos últimos anos, o mercado de SUVs compactos evoluiu tão rapidamente, que, quem dominava o mercado em 2015, hoje é mero coadjuvante.
Para saber se é esse o papel que deve ser reservado ao 2008 turbo automático, o G1 avaliou por uma semana a versão mais cara da linha, que custa R$ 99.990.
Tabela de concorrentes do Peugeot 2008
Divulgação e André Paixão/G1
Turbo de R$ 10 mil
Esse preço é exatamente R$ 10 mil mais alto do que o cobrado pelo 2008 Griffe com motor 1.6 aspirado de 118 cv.
A lista de equipamentos porém, é idêntica, e conta com teto solar panorâmico, ar-condicionado com duas zonas de temperatura, 6 airbags, controles de tração e estabilidade, central multimídia de 7 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, rodas de 16 polegadas, câmera de ré e sensores de luz, chuva e de estacionamento.
Câmbio automático e seletor de terreno são as únicas novidades visíveis no 2008 THP
Fábio Tito/G1
A diferença até parece grande demais para ser justificada apenas por um motor mais potente. Porém, quem anda nos dois veículos, logo vai entender que os R$ 10 mil são um ótimo investimento.
Ao contrário do 2008 aspirado, o turbo é um carro cheio de vida, com ótimo desempenho.
Uma comparação? Números de fábrica para a aceleração de 0 a 100 km/h. Enquanto o THP faz em 8,1 segundos, o similar aspirado leva 12,4 segundos – 4,3 segundos a mais.
Peugeot 2008 THP automático
Fábio Tito/G1
O câmbio, que parece preguiçoso na versão menos potente, trabalha em total harmonia com motor THP, fazendo trocas de marchas de forma bastante suave e prezando pelo conforto.
Outras características já conhecidas do 2008 também garantem o prazer ao dirigir. É o caso do volante de diâmetro reduzido e da suspensão com acertos mais firmes. A carroceria, que mais lembra uma perua, também ajuda a entregar uma posição de guiar baixa.
Ele também é um dos poucos modelos do segmento que possuem freios a disco nas quatro rodas.
Peugeot 2008 THP automático
Fábio Tito/G1
Embalagem já conhecida
Fora isso, é o 2008 que o público conhece bem. Seu visual, que recebeu uma reestilização leve há poucos meses, é agradável aos olhos, da mesma forma que a cabine acolhe bem os ocupantes, com materiais de tato suave.
Olhando para a ficha técnica, ele fica entre os modelos mais compactos do segmento, com 4,16 m de comprimento, 2,54 m de entre-eixos e 1,74 m de largura. No entanto, o espaço é bom, inclusive no banco traseiro.
Melhorou o bastante?
Peugeot 2008 THP automático
Fábio Tito/G1
Ainda que a demora da Peugeot possa ser compensada com um produto bem acertado, o 2008 turbo automático chega ao mercado em um momento em que outros rivais parecem estar alguns passos à frente.
Enquanto os franceses gastaram um tempão “casando” um motor turbo com uma transmissão automática, a concorrência oferece itens de conforto e segurança inexistentes no 2008.
É o caso de acesso e partida por chave presencial, quadro de instrumentos digital, centrais multimídia com telas maiores e com melhor resolução, start-stop, frenagem automática de emergência e alerta de mudança de faixa.
Peugeot 2008 THP automático
Fábio Tito/G1
Também joga contra o novato o fato de a Peugeot já estar desenvolvendo a nova geração do 2008 para o mercado da América Latina. Ele deve chegar em 2021, trazendo muitos dos recursos citados no parágrafo acima. Isso quer dizer que o 2008 atual terá cerca de dois anos de vida.
Vale a pena?
Mesmo com todas as ressalvas, o 2008 pode ser uma boa pedida por algumas razões:
anda bem
é gostoso de dirigir
tem bom pacote de equipamentos
custa menos do que versões topo de linha de concorrentes
Com o orçamento limitado na casa dos R$ 100 mil, os SUVs compactos mais vendidos são encontrados apenas em versões intermediárias, e há poucos concorrentes “completões” nessa faixa.
Um deles é o “primo” Citroën C4 Cactus, que compartilha plataforma e conjunto mecânico, mas é mais completo e sai por R$ 101.090. Já o Caoa Chery Tiggo 5X tem motor turbo de 150 cv, mais itens de série, e preço de venda mais baixo, R$ 98.990.