Paulo Costta, voz do Recôncavo Baiano que foi do rock à bossa nova


♪ OBITUÁRIO – Por ter nascido em Santo Amaro da Purificação (BA), interiorana cidade da Bahia que gerou Caetano Veloso e Maria Bethânia, Paulo Costta ecoou sons do Recôncavo Baiano.
Não por acaso, o último álbum do artista, lançado em 2015, foi intitulado Meu Recôncavo – Samba & poesia – Paulo Costta canta Mabel Velloso, tendo dado origem a DVD editado em 2019 com o registro ao vivo do show feito por Paulo com Moreno Veloso.
Neste projeto fonográfico, pautado pela cadência bonita do samba da Bahia e gravado com a participação de Maria Bethânia na versão feita em estúdio, o artista musicou poemas de Mabel Velloso.
Contudo, a voz de Paulo Costta – cantor, compositor, violonista, arranjador e produtor musical que morreu na quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), após dias em coma no Hospital Universitário Pedro Ernesto em decorrência de complicação de cirurgia para retirada de coágulo no cérebro – também extrapolou as fronteiras do Recôncavo.
Devoto de João Gilberto (1931 – 2009), o artista ecoou a serenidade da bossa nova em apresentações na Europa, para onde partiu em 2005. Paulo Costta cantou e tocou música brasileira em shows feitos em países como Portugal, Suíça e sobretudo França, onde morou em Paris durante anos a partir de 2007.
Quem o via e ouvia cantando e tocando o próprio violão nessas apresentações intimistas pela Europa certamente nem desconfiava que Paulo Costta também tinha um passado roqueiro.
Sim, no início da carreira na cidade de São Paulo (SP), na década de 1970, o artista foi um dos líderes, como vocalista e guitarrista, da Papa Poluição, banda paulistana em que, ao lado dos parceiros Penna e Tiago Araripe, Paulo misturou rock com ritmos nordestinos, poesia e música pop. A banda sobreviveu à margem do mercado até 1983.
Mas é como uma voz identificada sobretudo com o Recôncavo Baiano – que também transitou por Salvador (BA) a partir de 1988 como proprietário de estúdio de gravação por onde passariam estrelas da então emergente axé music como Daniela Mercury e Ivete Sangalo – que Paulo Costta sai de cena.