Parto na água, optado por Meghan, pode atenuar dor das contrações

Meghan Markle optou por ter um parto na água, sendo o mais natural possível

Meghan Markle optou por ter um parto na água, sendo o mais natural possível
Toby Melville/ Reuters – 11.3.2019

“Eu não conseguia achar uma posição confortável. Não conseguia ficar sentada ou andando e só me senti bem e livre quando entrei na água. Ali, as dores diminuíram bastante”, afirma a consultora paulistana Manuela Mitre, 41. Manuela passou por dois partos humanizados em que seus bebês nasceram na água — a primeira filha, Alice, em 2011, e o Gael, em 2013 — e optou por esse tipo de parto, pois queria o mínimo de intervenção possível, respeitando o processo natural do parto.

A duquesa de Sussex, Meghan Markle, 37, grávida de 8 meses, decidiu realizar seu parto na água, sendo o mais natural possível, segundo informações do tabloide britânico The Sun deste sábado (13). A previsão é que ela dê à luz no final deste mês no Reino Unido. 

De acordo com a enfermeira obstetra Cinthia Calsinski, da Unifesp, o parto na água ocorre da mesma maneira que um parto normal, mudando apenas a posição e o local onde é feito. 

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A enfermeira explica que, embora a água possa ser o local escolhido para o bebê nascer, isso não configura um parto humanizado, que exige conduta própria desde o pré-matal. No parto na água podem ser adotadas condutas fora dos critérios do parto humanização, como lavagem intestinal e uso de ocitocina (hormônio que induz as contrações do parto).

Manuela passou por dois partos humanizados em que seus bebês nasceram na água

Manuela passou por dois partos humanizados em que seus bebês nasceram na água
Reprodução

A obstetra Thelma Figueiredo, do Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé, em Belo Horizonte, afirma que a técnica do parto na água é empregada para diminuir a dor da mulher durante o parto, visto que, com a água quente (por volta dos 37ºC), há um relaxamento muscular, ajudando a atenuar as contrações e relaxar a região do períneo da mulher (músculos na base da pelve).

Cinthia afirma que a temperatura da água deve ser próxima à temperatura corporal  para também ajudar o bebê a manter sua temperatura. O parto pode ser realizado em uma banheira fixa que, em alguns hospitais pode ser esterelizada, ou em banheiras infláveis descartáveis.

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Thelma explica que esse tipo de parto é feito de maneira totalmente natural, sem a aplicação de qualquer anestesia para não tirar a mobilidade da mãe, que deve escolher a posição mais confortável, deixando a cintura para baixo coberta de água. Outra razão do não uso da anestesia é que, caso haja um catéter para a anestesia peridural ligado às costas da mãe naquele ambiente, pode haver risco de infecção.

Cinthia afirma que, na água, não existe uma posição específica que a mulher tenha que ficar, podendo escolher a maneira mais confortável para se ajeitar ao parto. Na água, ela pode ter a companhia de ser parceiro ou de um acompanhante de sua escolha, que pode ajudar na confiança durante todo o processo, conforme explica a enfermeira.

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Tanto Cinthia quanto Thelma afirmam que não há risco de o bebê se afogar, pois, ainda nos primeiros segundos, a criança respira por meio do cordão umbilical. Entretanto, a enfermeira ressalta que, caso a mãe não esteja com a área vaginal coberta por água e o bebê entre em contato com o ar, ele pode ter estímulo pulmonar para respirar, inalando água quando sair.

Thelma afirma também que não há risco de o bebê sofrer com paralisia cerebral. “Isso ocorre quando há falta de oxigenação durante o trabalho de parto ou quando ele fica muito tempo parado no canal vaginal, tendo uma má oxigenação”, explica.

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A obstetra afirma que, por conta do processo natural do parto ao fazer força, a mulher pode acabar urinando ou evacuando, o que pode aumentar o risco de infecções, tanto para o bebê, que pode ter pneumonia e evoluir para sepse, levando à morte, quanto para a mãe, que pode ter infecções vaginais.

Há ainda o risco de outras infecções que podem ocorrer por micro-organismos levados à água pelos pés da gestante ou do acompanhante. O parto na água pode gerar também mais lacerações na região vaginal e deixar a região mais larga.

Thelma afirma que, embora esse tipo de parto venha sendo opção para muitas mulheres, ainda não há um estudo em grande escala que comprove que o procedimento seja seguro.

A enfermeira afirma que, após parir o bebê, a mãe não deve ficar muito tempo na água, pois, por conta da água quente, os vasos sanguíneos podem se dilatar e, teoricamente, o sangramento, aumentar.

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Cinthia afirma que o parto na água pode se tornar mais fácil pois, com o líquido, o bebê “escorregaria” melhor. Para Manuela, esse parto realmente foi mais fácil. “Nos dois partos que tive, meus bebês nasceram rápido, tendo cada trabalho de parto durado cerca de duas horas”, afirma a consultora.

A enfermeira explica que, por conta da mínima intervenção, nesse tipo de parto, a equipe médica não puxaria o bebê, deixando ele sair sozinho do ventre e, após seu nascimento, ajudaria a amparar a criança, levando-a para o colo da mãe.

Thelma afirma que o parto na água é contraindicado para mulheres que tenham doenças cardíacas, canal vaginal estreito, diabetes, maior tendência à infecção, placenta baixa que cobre a abertura do colo do útero da mãe, bebês com oxigenação baixa e mulheres que tenham bebês muito grandes. 

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De acordo com o Ministério da Saúde, o parto na água é oferecido em casas de parto (consultórios especializados em partos naturais, com médicos e doulas ) e centros de parto normal.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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