Pantanal tem o mês de julho com mais focos de incêndio desde início das medições feitas pelo Inpe


Dados são registrados desde 1998. Neste ano, monitoramento ainda aponta alta de 28% dos incêndios na Amazônia, aumento dos focos no Cerrado e queda nos incêndios na Mata Atlântica, na Caatinga e no Pampa. Foto, do departamento de bombeiros de Mato Grosso, mostra incêndio no Pantanal no dia 29 de julho.
MATO GROSSO FIREFIGHTERS DEPARTMENT / AFP
O número de queimadas registradas no Pantanal bateu recorde no mês passado: foram 1.684 pontos de queimadas no bioma no mês passado, o maior número para um mês de julho desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a coletar os dados em 1998.
Em comparação com julho do ano passado, o bioma teve 3,4 vezes mais focos de incêndio, segundo os dados do Inpe, que registrou 494 em julho de 2019.
O aumento das queimadas no Pantanal foi o maior registrado em julho entre todos os biomas brasileiros. Na Amazônia, que teve o segundo maior aumento, houve 28% mais incêndios em em julho de 2020 comparado a julho de 2019.
No Cerrado, foram registrados 5% mais incêndios em julho deste ano se comparado ao ano passado. Já na Mata Atlântica, na Caatinga e no Pampa, houve queda (veja gráfico).
Gráfico mostra comparação das queimadas nos biomas brasileiros entre julho de 2019 e julho de 2020
Juliane Monteiro/G1
O engenheiro florestal Vinícius Freitas Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), que monitora o Pantanal em Mato Grosso, diz que os incêndios no bioma são os piores desde 1998.
“Segundo os dados de série histórica de focos de calor que o Inpe disponibiliza, desde 1998, nós nunca tivemos essa situação nos sete primeiros meses do ano” – Vinícius Freitas Silgueiro, engenheiro florestal do ICV
4″O que a gente está vendo agora é algo histórico em termos de impacto no bioma” – Vinícius Silgueiro
O Pantanal é a maior planície alagada do mundo, englobando áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, da Bolívia e do Paraguai. Mas a estação úmida da região, que normalmente vai de janeiro a maio, teve 50% a menos de chuva este ano do que o esperado, o que também fez com que muitos focos de queimadas fossem registrados nos meses mais chuvosos.
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Isso contribuiu para que os incêndios – que podem começar como queimadas controladas para “limpar” a vegetação desmatada – acabassem se alastrando, explica Vinícius, do ICV. Agora, a região vive a estação seca, que deve durar até setembro. Por isso, é possível que a situação piore nos próximos meses, afirma o engenheiro.
Vinícius também lembra que metade das queimadas (51%) incidiu em imóveis rurais privados que têm o cadastro ambiental rural. “São imóveis que têm, majoritariamente, o seu uso agropecuário. E aí está a relação com a causa dos incêndios”, explica.
“Para a pecuária, o fogo ainda é muito utilizado como uma forma de renovar a pastagem. Você queima e depois ela vem com um novo vigor. E aí, com certeza, essas queimadas saíram do controle e acabaram provocando grandes incêndios”, diz Vinícius.
Decreto
Foto mostra fumaça em meio a vegetação do Pantanal em Poconé, Mato Grosso, no dia 1º de agosto.
Rogério Florentino/AFP
As queimadas no Pantanal e na Amazônia aumentaram mesmo depois de um decreto, do Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicado no dia 16 de julho (e que começou a valer na mesma data), que suspendeu por 120 dias o uso de fogo em ambos os biomas.
O texto diz que a proibição se aplica “no território nacional”, apesar de determinar que “ficam autorizadas as queimas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal, quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual”.
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Corpo de Bombeiros
O G1 questionou a pasta sobre o aumento dos incêndios. Em nota, o ministério respondeu que “o Governo editou um decreto proibindo queimadas em todo o território nacional por 120 dias. Além disso, o MMA contratou 3000 brigadistas temporários para auxiliar os corpos de bombeiros estaduais no combate e prevenção às queimadas.”
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Para Rômulo Batista, porta-voz do Greenpeace, o aumento das queimadas mesmo depois das determinações do decreto reflete a “certeza da impunidade” por parte de quem provoca os incêndios. Ele também critica as práticas ambientais do governo federal.
“O que se tem é a certeza da impunidade. Mesmo proibido, não tem efeito na prática”, afirma Rômulo.
“Desde que assumiu, [o governo] vem só rebaixando ou desmerecendo os órgãos de fiscalização e controle, desde promover a exoneração de agentes ambientais que estão fazendo o que é correto. E você tem uma manobra do ministro do Meio Ambiente [Ricardo Salles] para ‘passar a boiada'”, lembra.
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