Pantanal em chamas e alertas de desmatamento na Amazônia em alta; veja os recordes da gestão Salles


Foto de arquivo de 22 de abril de 2021 do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante entrevista coletiva so Salão Leste do Palácio do Planalto, em Brasília.
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Ricardo Salles foi exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (23) após mais de 2 anos e meio no cargo de Ministro de Meio Ambiente. Foram recordes nas taxas de desmatamento e de queimadas, com fortes críticas de ambientalistas, de especialistas e de países que defendem o combate às questões climáticas.
Veja abaixo alguns dos recordes batidos nos anos da gestão Salles:
Amazônia mais desmatada em 2021
Foram três meses seguidos de recordes nos alertas de desmatamento no primeiro semestre deste ano. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) gera esses dados quase em tempo real para as equipes de fiscalização ambiental, que devem ir a campo para confirmar a devastação e multar os infratores.
A Amazônia perdeu 810 quilômetros quadrados de floresta em março. Para se ter uma dimensão do estrago, o tamanho da área devastada foi um pouco maior que a cidade de Goiânia. O desmatamento aumentou 216% em relação a março de 2020.
Em abril, foram 778 km² de floresta devastada, o maior valor para o mês registrado nos últimos dez anos, segundo monitoramento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O mesmo aconteceu em maio: antes mesmo de o mês terminar, a região já tinha 1.180km² de área sob alerta de deflorestação, o maior número para o mês desde 2016.
Pelo 3º mês seguido, os alertas de desmatamento na Amazônia bateram recorde
Pantanal em chamas
Em 2020, os incêndios que atingiram o Pantanal consumiram, pelo menos, dez vezes mais área de vegetação do que em 18 anos de devastação. O bioma registrou no ano passado o maior número de focos de incêndio de sua história.
Entre 2000 e 2018, o Pantanal perdeu cerca de 2,1 mil km² de área nativa. Já em 2020, ainda em setembro, conforme os dados divulgados por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o bioma já havia visto cerca de 23 mil km² serem consumidos pelas chamas.
4,65 bilhões de animais afetados
Um estudo intitulado de “Pantanal está pegando fogo e só uma agenda sustentável pode salvar a maior área úmida do mundo” apresentou os números alarmantes sobre as consequências das queimadas de 2020 sobre a fauna pantaneira. De acordo com a pesquisa, os incêndios no bioma afetaram pelo menos 65 milhões de animais vertebrados nativos e 4 bilhões de invertebrados.
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