Pacientes querem mais orientação dos médicos


Pesquisa diz que a maioria das pessoas está interessada em discutir mudanças no estilo de vida no consultório Entre os médicos, 96% acreditam que o autocuidado, ou seja, o cuidado consigo mesmo, é essencial para ter saúde. O bom é que 88% dos pacientes concordam com eles. Além disso, 93% dos médicos gostariam de fornecer esse tipo de informação, que inclui a prática de exercícios, alimentação saudável e um sono de qualidade, nas consultas. No entanto, há um forte ruído que impede essa comunicação.
Quase metade dos profissionais (46%) crê que seus pacientes não parecem muito dispostos a zelar pela saúde, embora 72% das pessoas afirmem estar interessadas em discutir assuntos como mudanças no estilo de vida no consultório. Pior: 75% não debateram nenhuma questão desse tipo em consultas realizadas nos últimos dois anos, mas o problema atinge os próprios médicos, já que 59% reconhecem que as demandas do trabalho os impedem de se cuidar como deveriam.
Wayne Jonas, professor na faculdade de medicina da Universidade de Georgetown
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Esse é o resultado de pesquisa on-line divulgada anteontem pelo Samueli Integrative Health Programs, entidade norte-americana sem fins lucrativos. Foi feita nos EUA, mas parece sob medida para o Brasil. De acordo com seu diretor-executivo, o médico de família Wayne Jonas, “encorajar os pacientes a incorporar o autocuidado em suas rotinas não é fundamental apenas para o bem-estar de cada indivíduo, mas também um componente crítico para reduzir o peso que as doenças crônicas representam para o país”.
O levantamento envolveu cerca de mil adultos acima de 18 anos e 300 médicos. O cuidado pessoal não é a mesma coisa que a autoindulgência – quando nos fazemos um afago nos dando um presentinho ou saindo da dieta. Trata-se de um conceito amplo que abrange tudo o que é preciso para encontrar equilíbrio físico, mental, emocional, social e espiritual. Dois terços dos pacientes gostariam que seus médicos fornecessem informações e fontes de consulta sobre como administrar bem sua saúde, sendo que 64% iriam mais longe, ao desejar a inclusão de terapias alternativas nos tratamentos.
Para o doutor Jonas, que também é professor na faculdade de medicina da Universidade de Georgetown, em Washington, o que esses resultados mostram é que as pessoas querem que os médicos se envolvam de forma mais abrangente na saúde dos pacientes. “Elas querem uma parceria profunda, na qual possam discutir seu bem-estar e os fatores que têm impacto negativo”, complementa. A razão mais citada pelos profissionais para passar ao largo desses temas é a falta de tempo nas consultas: 78% relataram o problema, mas apenas 26% afirmaram que se sentiam confortáveis e confiantes para discutir esses assuntos.