Oswaldo Montenegro fecha parceria com Mongol com as cores belas da canção ‘Poças azuis’


Música foi composta dias antes de o parceiro do cantor ser diagnosticado com covid-19, doença que o matou em maio. Capa do single ‘Poças azuis’, de Oswaldo Montenegro
Divulgação
Resenha de single
Título: Poças azuis
Artista: Oswaldo Montenegro
Compositores: Mongol e Oswaldo Montenegro
Edição: Edição independente do artista
Cotação: * * * * *
♪ Dias antes de receber o diagnóstico de que estava com covid-19, doença que o mataria há dois meses, aos 64 anos, o cantor, compositor e músico carioca Arlindo Carlos da Silva Paixão (2 de maio de 1957 – 11 de maio de 2021) – artisticamente conhecido como Mongol desde o alvorecer da década de 1980 – compôs aquela que seria a última música da longeva parceria com o amigo de fé Oswaldo Montenegro.
Apresentada por Montenegro em single lançado nesta sexta-feira, 9 de julho, a inédita canção Poças azuis tem as cores líricas da obra conjunta dos compositores e é o fecho luminoso de parceria que rendeu composições como Aquela coisa toda (1980), Voar leve (1980), Coisas de Brasília (1981) e Sempre não é todo dia (1987).
Poças azuis é canção melodiosa e melancólica em cuja letra Montenegro e Mongol retratam solidões provocadas pelo isolamento social – “Tá todo mundo mais só agora / O tempo chora, porque passou” – com sopro de esperança apontada logo nos versos seguintes “Mas há futuro, eu vi tanta luz / Janelas guardam almas, quem fechou?”.
Infelizmente, a covid-19 abreviou o futuro de Mongol – compositor de Agonia (1980), música com a qual Oswaldo Montenegro venceu o festival MPB-80 (TV Globo) – mas, se breve foi a vida de Mongol, longa é a obra ampliada com Poças azuis em gravação de lirismo realçado pelos toques das flautas de Madalena Salles e do violoncelo de Janaína Salles.
Além de cantar e tocar piano e violão, Montenegro assina o arranjo desse single reverente ao colorido do cancioneiro de Mongol com o Menestrel. Dá para reconhecer em cada compasso e verso o D.N.A. da coerente parceria dos compositores.
Composta e gravada em tempo de delicadeza que já soa vintage nas atuais playlists nacionais, redutos em que melodias são habitualmente negligenciadas em favor dos beats, Poças azuis é canção que põe um pouco de beleza nesse Brasil embrutecido de 2021.