Oscar 2020: saiba como é a escolha dos jurados e como eles votam

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é formada por profissionais da indústria do cinema. São eles que, meses antes da cerimônia, começam a avaliar os filmes para definir quem vão ser os indicados. Oscar 2020: saiba como é a escolha dos jurados e como eles votam
Este domingo (9) é dia da cerimônia do Oscar. O correspondente Tiago Eltz vai acompanhar a premiação em Los Angeles, e explica como são escolhidos os melhores do cinema de Hollywood.
O Oscar é o troféu, o prêmio. E quem decide quem vai levar a estatueta para casa é a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A tão falada academia é formada por profissionais da indústria do cinema: diretores, maquiadores, atores, técnicos de som, executivos… São eles que, meses antes da cerimônia, começam a avaliar os filmes para definir quem vão ser os indicados.
A academia é dividida em departamentos. E, na primeira fase, na hora de decidir os indicados, cada profissional vota em suas próprias categorias. Atores votam em atores, maquiadores em maquiagem, roteiristas nos roteiros e assim por diante. Na categoria de melhor filme, todos podem votar. Uma vez que os indicados estão definidos, vem a segunda parte: a votação para escolher os vencedores. E aí todos os integrantes da academia podem votar em todas as categorias.
Ana Maria Bahiana é jornalista, escritora e faz parte da associação de imprensa estrangeira de Hollywood. Ela explica que, para entrar na academia, não adianta se candidatar não: “é convite. Você é convidado porque eventualmente foi indicado ou você é convidado por um outro membro que já está lá”.
Cinco anos atrás, a composição da academia passou a ser questionada. Em 2015, entre os 20 atores indicados não havia nenhum negro. E o Oscar passava a enfrentar de frente a realidade: a academia era majoritariamente formada por homens brancos. Só 8% dos integrantes eram não brancos: negros, latinos, asiáticos… Hoje o quadro mudou, o percentual dobrou. Mas os não brancos continuam sendo apenas 16%.
Agora, vejamos o caso das mulheres. Em 2015, elas eram 25% da academia. Com os novos convites o percentual, subiu para 32%. A cineasta brasileira Lais Bodanzky foi uma das novas convidadas. Esse ano votou pela primeira vez: “eu acho que a academia desde 2016, ela percebeu que não diversidade nos seus votantes, nos seus membros, e isso refletia naturalmente nos filmes finalistas e nos filmes premiados. A academia foi muito criticada, ela absorveu essa crítica e começou a atuar para aos poucos melhorar, modificar os seus membros, e consequentemente os filmes finalistas e as premiações”.
Este ano, o fato de nenhuma mulher estar na disputa do Oscar de direção e apenas uma atriz negra ter sido indicada reacendeu as críticas. Mas se ainda não foi possível mudar a constatação de que academia continua sendo formada em sua maioria por homens brancos, para Ana Maria Bahiana o movimento já começou: “é o mais diverso que a academia já esteve. Isso por um lado não é grande coisa porque eles só têm cinco anos de resolver essa questão, por outro lado, é uma grande coisa porque finalmente eles tão percebendo que não podia ser assim, você não pode representar uma arte desse gabarito, com esse poder, somente pelo olhar de um grupo de pessoas”.
O G1 e o Globoplay vão transmitir a cerimônia completa do Oscar no domingo, desde o tapete vermelho.
Oscar 2020: o que você sabe sobre a premiação? Faça o teste!
O Assunto #117: Oscar: como funciona a principal premiação do cinema
Veja a série especial do JN sobre a premiação