Os 90 anos de Elton Medeiros, ‘um cara bacana’, eternizado como grande melodista e ritmista


Falecido em 2019, compositor está imortalizado por parcerias com Cartola, Paulinho da Viola e Zé Kétti. Elton Medeiros está eternizado pela criação de melodias como as de ‘Peito vazio’ e ‘Onde a dor não tem razão’
Reprodução / Capa de disco de 1973
♪ MEMÓRIA – Talvez quase ninguém lembre que Elton Antônio Medeiros (22 de julho de 1930 – 3 de setembro de 2019) estaria festejando hoje o 90º aniversário se não tivesse saído de cena no ano passado.
Contudo, haverá quem cantarole nesta quarta-feira, 22 de julho de 2020, uma melodia de Elton, pelo menos no mundo do samba – gênero pelo qual este bamba carioca e militante tanto lutou para que o ritmo fosse valorizado com a devida importância pelas elites culturais do Brasil.
Talvez seja a melodia de Peito vazio (1976), parceria do compositor com Cartola (1908 – 1980). Talvez seja a de Ame (1996), um dos muitos sambas feitos por Elton com o parceiro e amigo Paulinho da Viola.
Perfilado e celebrado por Paulinho na letra de Um cara bacana, samba apresentado pelo autor em show feito em julho de 2011, Elton Medeiros nunca foi cantor de arrastar multidões, como o próprio Paulinho da Viola. A atuação do artista nos bastidores da criação do samba é que lhe fez eterno.
Sim, Elton Medeiros permanece eternizado pela beleza de melodias que criou para sambas como Mascarada (1964), O sol nascerá (1964) e Pressentimento (1968), parcerias do compositor com Zé Kétti (1921 – 1999), Cartola e Hermínio Bello de Carvalho, respectivamente.
O público mais atento – aquele que presta atenção nos músicos, e não somente no cantor – também sabe que a maestria de Elton Medeiros extrapolou a criação de melodias. Ritmista esperto, o artista dominou como poucos a arte de percurtir uma caixa de fósforos. Quem é do ramo sabe que o ritmista Elton Medeiros foi tão grande quanto o compositor Elton Medeiros.
Contudo, é inegável que, com o passar do tempo, a grandeza de melodias de sambas como Recomeçar (1979) e Onde a dor não tem razão (1981) – dois exemplos lapidares da parceria do compositor com Paulinho da Viola – se imponham como a arte maior de Elton Medeiros.
Esses sambas, assim como os outros já mencionados, simbolizam o ápice de trajetória iniciada pelo bamba como integrante de blocos carnavalescos e grupos de ranchos como Flor do Abacate e Mimosas Cravinas.
Membro de conjuntos como A Voz do Morro e Os Cinco Crioulos nos anos 1960, Elton Medeiros deixou discografia pequena em carreira solo. O artista gravou vários discos em dupla ou em trio – formados por Elton com Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Márcia, Mariana de Moraes e Zé Renato – em trajetória fonográfica que rendeu cinco álbuns individuais.
Foram poucos, mas bons. Elton Medeiros (1973), Elton Medeiros (1980), Mais feliz (1996), Aurora da paz (2001) e Bem que mereci (2005) foram discos que legaram para a posteridade a arte do já nonagenário Elton Medeiros, imortal bamba do samba. Um cara bacana.