Obra modernista de Garoto é enfocada em filme que estreia em setembro


Programado na 12ª edição do festival ‘In-Edit Brasil’, o documentário joga luz sobre o legado do violonista e compositor paulistano morto em 1955. O compositor e violonista Garoto é tema do documentário de Henrique Gomide, Lucas Nobile e Rafael Veríssimo
Reprodução / Página do filme ‘Garoto – Vivo sonhando’ no Facebook
♪ Produzido desde janeiro de 2014, o documentário Garoto – Vivo sonhando já está finalizado e estreia em setembro dentro da programação online da 12ª edição do In-Edit Brasil – Festival internacional do documentário musical, agendada de 9 a 20 de setembro.
Projeto de Henrique Gomide, Lucas Nobile e Rafael Veríssimo, o filme joga luz sobre a obra do compositor e violonista paulistano Aníbal Augusto Sardinha (28 de junho 1915 – 3 de maio 1955), conhecido como Garoto.
Primeiro violonista modernista do Brasil, por ter introduzido bossas novas no modo de tocar violão com o uso de acordes inusuais, o artista também deixou obra autoral relevante, produzida da década de 1930 até 1955, ano em que saiu precocemente de cena, morto aos 40 anos.
O título do documentário Garoto – Vivo sonhando junta o nome artístico do violonista com o título da composição feita em 1945 por Garoto e lançada em disco em 1950 em registro fonográfico do próprio autor.
Produção da Tc Filmes com a Lente Viva Filmes, o documentário de Gomide, Nobile e Veríssimo é oportuno porque, fora dos nichos que cultuam a música brasileira instrumental, o nome de Garoto aparece normalmente creditado somente como o parceiro de Chico Buarque e Vinicius de Moraes (1913 – 1980) na canção Gente humilde.
Com melodia também composta por Garoto em 1945, Gente humilde é de fato a composição mais famosa de Garoto, tendo sido popularizada em 1969 ao ser a gravada pela cantora Márcia para a trilha sonora da novela Véu de noiva (TV Globo) com a letra escrita posteriormente por Vinicius com a (mínima) colaboração de Chico.
Na sequência, a gravação de Angela Maria (1929 – 2018), lançada em 1970, sedimentou o sucesso popular da melancólica canção. Contudo, o moderno cancioneiro autoral de Garoto é (bem) mais amplo e inclui choros (como Gracioso, de 1957), sambas-canção (com destaque para Duas contas, de 1951) e valsas (caso de Naqueles velhos tempos, tema de 1950).
Como compositor e violonista, Garoto sofreu a influência do jazz – sobretudo na viagem que o levou aos Estados Unidos nos anos 1940 para tocar com a cantora Carmen Miranda (1909 – 1955) – e bebeu do impressionismo francês entranhado na obra de compositores como Debussy (1862 – 1918), além de ter sido marcado pelo convívio com o pianista, compositor, arranjador e maestro Radamés Gnattali (1906 – 1988).
Foto promocional do documentário ‘Garoto – Vivo sonhando’
Reprodução / Página do filme ‘Garoto – Vivo sonhando’ no Facebook