Obra autodestruída de Banksy volta a ser leiloada; nova versão está avaliada entre US$ 5,5 e US$ 8,2 milhões


‘Menina com balão’ será vendida três anos após obra de arte se autodestruir assim que foi vendida. Funcionários da casa de leilões Sotheby’s apresentam a obra “Menina do balão”, de Banksy. Nova versão da obra será vendida em leilão em 14 de outubro
Tolga Akmen / AFP
O quadro “Menina com balão” de Banksy retorna à cena do crime. Três anos depois de se autodestruir parcialmente durante um leilão em Londres, o que resta da obra volta a ser vendido nesta quinta-feira (14) no mesmo local.
Esta nova versão, rebatizada de “Love is in the Bin” (“Amor está no lixo”), está avaliada entre 4 e 6 milhões de libras (US$ 5,5 milhões e US$ 8,2 milhões), de acordo com a casa de leilões Sotheby’s. O valor equivale atualmente a algo entre R$ 30 milhões e R$ 45 milhões.
Essa estimativa, que pode ser superada, é entre quatro e seis vezes mais elevada do que o preço pago na primeira venda por um colecionador anônimo em 2018.
O famoso artista de rua, cuja identidade permanece um mistério, surpreendeu o mundo naquele leilão, também na Sotheby’s de Londres.
Assim que o martelo foi batido ao lance mais elevado, um mecanismo escondido na moldura destruiu a parte inferior da tela, que representa uma menina soltando um balão em forma de coração.
Agora, apenas o balão permanece em um fundo branco. Com esta ação, Banksy afirmou que desejava denunciar a “mercantilização” da arte, embora, no final, os restos de sua obra provavelmente serão revalorizados.
Em seu comunicado anunciando a venda, a Sotheby’s descreveu a destruição como o “acontecimento” artístico mais espetacular do século XXI, enquadrado “na herança da arte contracultural que começou com o dadaísmo e Marcel Duchamp”.
“Durante aquela noite surrealista de três anos atrás, acidentalmente me tornei o dono privilegiado de ‘Amor está no lixo’ (…) mas é hora de me separar”, declarou o comprador anônimo, citado em nota da Sotheby’s.
“Menina com balão” apareceu pela primeira vez em 2002 e se transformou em “uma espécie de leitmotiv” para Banksy e em “uma obra muito apreciada”, disse à AFP Katharine Arnold, curadora da Christie’s para arte contemporânea e do pós-guerra na Europa.
Banksy se tornou mundialmente conhecido por suas obras pintadas às escondidas em paredes de edifícios em vários países.
O artista urbano gosta de provocar e conscientizar através de sua arte, e já abordou temas como o Brexit e a imigração. Até o momento, sua identidade permanece desconhecida, mas sabe-se que ele é originário da cidade de Bristol, na Inglaterra.
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