‘O Tempo e o Vento’ estreia no Globoplay em homenagem a Tarcísio Meira e Paulo José


Minissérie baseada em obra de Erico Veríssimo teve direção de Paulo José e Meira como Capitão Rodrigo, um de seus papéis mais marcantes na televisão. Obra entrou no catálogo do streaming nesta quinta (19). Tarcísio Meira e Louise Cardoso na minissérie ‘O Tempo e o Vento’
Jorge Baumann/TV Globo
A minissérie “O Tempo e o Vento” estreou nesta quinta-feira (19) no Globoplay, como homenagem a dois grandes atores que morreram na última semana: Tarcísio Meira e Paulo José.
A trama, baseada na obra de Erico Verissimo, foi exibida em 1985, com autoria de Doc Comparato, direção de Paulo José e Tarcísio Meira como o protagonista Capitão Rodrigo. O G1 relembra alguns dos principais momentos, além de curiosidades, com dados do Memória Globo.
A história é inspirada em “O Continente”, primeira parte da trilogia “O Tempo e o Vento”. Veríssimo retrata a efervescência do período de 1777 a 1985: transformações sociais, políticas e culturais, essenciais para a formação do Rio Grande do Sul.
A história acompanha várias gerações da família Terra Cambará. Guiada por Bibiana (Louise Cardoso/Lilian Lemmertz/Lélia Abramo), a trama faz um retrato das origens e desenvolvimento do estado, mas também focado em histórias de amores, amizades, conquistas e esperança.
Webdoc minissérie – O Tempo e o Vento – 1ª versão (1985)
Ela é dividida em quatro partes:
A primeira, chamada “Sobrado”, se passa em 1895, em pleno alvorecer da República, e mostra as lutas políticas na região. No sobrado onde vivem há muitos anos, os Terra Cambarás, republicanos, estão cercados pelos maragatos, adeptos da Revolta Federalista. É nesse momento que Bibiana (Lélia Abramo), alheia ao embate, resgata lembranças e histórias de seus antepassados
A segunda parte chama-se “Ana Terra” e aborda temas como maternidade, solidão, fidelidade e sensibilidade. Ana Terra (Gloria Pires) é avó de Bibiana. Com a família, ela deixa São Paulo e parte para o Sul, representando a mulher que chega para construir a vida no ambiente rural. Se apaixona e engravida do índio Pedro Missioneiro (Kasé Aguiar). Rejeitada pela família, ela tem seu filho sozinha e chama-o de Pedro Terra.
Gloria Pires viveu Ana Terra em ‘O Tempo e o Vento’
Jorge Baumann/TV Globo
A fase seguinte, “Um Certo Capitão Rodrigo”, conta a história da formação do gaúcho no século XIX. Capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) chega a Santa Fé sem que ninguém saiba de onde veio e nem para que. Se apaixona por Bibiana (então Louise Cardoso) e os dois se casam, mesmo contra a vontade da família Cambará. O maior objetivo de Rodrigo é alargar as fronteiras do estado e, para isso, se envolve em batalhas, como a Guerra dos Farrapos (1835 – 45). Acaba morrendo, atingido por uma bala.
A quarta parte, “Teiniaguá”, destaca a história dos descendentes de Capitão Rodrigo e Bibiana (agora vivida por Lilian Lemmertz). Luzia (Carla Camurati), conhecida como Teiniaguá, se envolve com o filho de Bibiana e Rodrigo, Bolívar Cambará (Daniel Dantas), um homem forte e belo, mas com personalidade fraca. Aos poucos, a jovem apresenta sinais de loucura e entra em conflito com a sogra. Quando nasce seu filho, a relação das duas fica insustentável.
Diogo Vilela, Carla Camuratti e Daniel Dantas em ‘O Tempo e o Vento’
TV Globo
Tarcísio e o capitão Rodrigo
O Tempo e o Vento – 1ª versão: O capitão Rodrigo relembra as suas batalhas
Em entrevista ao Memória Globo, Tarcísio Meira contou que teve receio de aceitar o papel. Ele contou que, em 1980, havia sido convidado para viver o personagem. Como parte das comemorações do aniversário de 15 anos da Rede Globo, a história seria adaptada para a televisão por Manoel Carlos, com direção de Paulo José.
O projeto acabou cancelado, e “O Tempo e o Vento” só veio a ser produzido cinco anos depois. Tarcísio Meira foi novamente escalado para dar vida ao Capitão Rodrigo, mas o ator, então com 50 anos, achava que sua idade não era mais condizente com o personagem.
Além disso, uma das características marcantes do capitão era sua paixão pela música. O personagem tocava violão e adorava cantar, atividades para as quais o ator dizia não ter nenhuma habilidade. Depois de algumas conversas com os diretores da série, Tarcísio Meira aceitou o desafio e recebeu inúmeros elogios de crítica e público por seu belo trabalho.
“Eu sempre gostei muito do Erico Verissimo, era um grande admirador, li toda a obra dele e tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, visitá-lo na casa dele. Então, fiquei muito feliz com a oportunidade de fazer o Capitão Rodrigo, porque era um personagem maravilhoso, o herói brasileiro por excelência. Eu tinha um grande receio de fazer porque eu já tinha passado da idade. Mas, tudo bem, fiz e enganei. E gostei muito de ter feito. A obra ficou muito bonita, toda ela. E fez muito sucesso”, declarou Meira na entrevista.
Daniel Filho conta que outro ator chegou a gravar algumas cenas como o Capitão Rodrigo, mas, segundo ele, era impossível pensar em alguém que não fosse Tarcísio Meira.
Minissério ‘O Tempo e o Vento’
Jorge Baumann/TV Globo
Curiosidades
Assim como no livro, os atores de “O Tempo e o Vento” eram de diferentes estados brasileiros. Com misturas de falas, sotaques e culturas, mostrou-se a formação miscigenada do Rio Grande do Sul.
A minissérie marcou a volta das Séries Brasileiras naquele ano e foi exibida como parte da programação de comemoração dos 20 anos da TV Globo. O projeto levava à tela adaptações de obras da literatura nacional para as diferentes regiões: sul, com “O Tempo e o Vento”; nordeste, com “Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado; e sudeste, com “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.
A minissérie foi reprisada três vezes: em março de 1986; em junho de 1991, no Vale a Pena Ver de Novo – quando foi levada ao ar uma versão compactada em dez capítulos, somente com as histórias do Capitão Rodrigo e Ana Terra; e em 1995, em homenagem aos 30 anos da TV Globo.
Foi vendida para mais de 20 países, entre eles Argélia, Argentina, Bélgica, Canadá, Cuba, Estados Unidos, França, Hungria, Portugal, Suíça e Tunísia. Para ser vendida internacionalmente, foi dividida em quatro episódios.
A trama é desenvolvida em quatro momentos. O início da história, intitulado “Sobrado”, passa-se em 1895, em pleno alvorecer da República, e mostra as lutas políticas na região. No sobrado onde vivem há muitos anos, em Santa Fé, no Rio Grande do Sul, os Terra Cambarás, republicanos, estão cercados pelos maragatos, adeptos da Revolta Federalista (1893-95). É nesse momento que Bibiana (Lélia Abramo), alheia ao embate, resgata lembranças e histórias de seus antepassados. Webdoc: https://memoriaglobo.globo.com/memoriadoc/video/webdoc-o-tempo-e-o-vento-1-verso-1985-2122659