O que você prefere, uma TV ou uma viagem?

Você recebeu um dinheiro inesperado, separou um pouco para guardar e agora tem duas opções para gastar, uma TV com uma tela maior ou uma viagem de férias. Mas está em dúvida: qual trará maior prazer?
A viagem vai durar uma semana enquanto a TV certamente vai acompanhar você por alguns anos. Da outra parte, você perde a chance de viajar para um lugar que ainda não conhece. Alguns amigos indicam a viagem. Outros rebatem: você aproveitará a TV por mais tempo.
Além de tudo, não é uma escolha tão simples. A TV não serve para viver outro tipo de experiências – as séries e filmes que você vê, o futebol, os programas de culinária onde pega dicas, etc. A essa altura você está quase optando pela compra.
Mesmo assim, para os psicólogos Thomas Gilovich e Leaf van Boven, vale mais fazer a viagem. A TV pode ser mais apreciada nos primeiros dias ou semanas, mas as lembranças dos outros lugares e das pessoas vão durar muito mais tempo.
O trabalho dos dois psicólogos, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, divide as compras em experienciais, quando envolvem fazer algo como ir a um show, viajar, jantar fora, e materiais, quando o dinheiro é gasto para ter algo – um carro, uma TV, um celular.
Os dois autores perguntaram a 1.263 pessoas qual tinha sido sua última compra material ou o último gasto com uma experiência que tinham feito e como se sentiam agora em relação a esse gasto. Ou seja, valeu a pena?
Para 57%, a experiência os deixou felizes, mas apenas 34% avaliaram a compra material da mesma maneira. É efeito do que Gilovich chama de adaptação hedônica. Um celular de última geração pode nos satisfazer hoje com seus novos recursos, porém a sensação não vai ser a mesma quando for lançado um telefone melhor.
Já as memórias de uma viagem, um jantar, um encontro com amigos podem ser revividas, com o acréscimo de novas sensações positivas, reforçando a percepção de que a experiência valeu a pena.
Numa outra parte do estudo, 70 universitários reviveram duas vezes, com uma semana de intervalo, um gasto recente. Na segunda entrevista, foi perguntado a eles se ainda se ainda se sentiam da mesma maneira.
Os estudantes que gastaram com experiências deram avaliações 10% mais altas ao gasto do que aqueles que gastaram com compras materiais. Eles também se sentiam melhor ao lembrar da experiência do que os demais.
E esse bem estar se manifesta não só depois da compra como antes. Em outro estudo, publicado em 2014 no Psichological Science Journal, Gilovich e os colegas Amit Kumar e Matthew Killingsworth não queriam saber sobre um gasto passado, mas sobre um gasto futuro.
Os pesquisadores entrevistaram 97 estudantes sobre uma compra ou uma experiência que planejavam fazer. As pessoas que esperavam viajar ou sair com os amigos se disseram muito mais excitadas e menos impacientes do que quem planejava comprar algo material.
Algumas pessoas compram bens em busca de satisfação e quase sempre conseguem. Mas esse prazer dura pouco. O maior inimigo da felicidade é a adaptação. O que no fim conta a favor da viagem, que sempre será única.