‘O Esquadrão Suicida’ é ótima e divertida colcha de retalhos de referências; G1 já viu


James Gunn resgata e dá nova cara à equipe de vilões dos quadrinhos da DC, mas falta originalidade para filme ser extraordinário. Produção estreia nesta quinta-feira (5). Quem diria que uma mistura de “Os Mercenários” (2010), “Deadpool 2” (2018), monstros gigantes e zumbis resultaria no melhor filme do ainda incerto universo estendido da DC nos cinemas? James Gunn, diretor e roteirista da estreia desta quinta-feira (5) “O Esquadrão Suicida”, diria.
A continuação do filme de nome quase idêntico (o de 2016 não tem o artigo no começo. Cuidado para não confundir) resgata a equipe de vilões dos quadrinhos após uma introdução turbulenta ao pegar emprestado algumas das melhores – outras, nem tanto – referências de diferentes obras de ação.
Mas uma combinação desse tamanho tem seu preço. São tantas coisas a serem apresentadas que o ritmo sofre, e é difícil não pensar em uma colcha de retalhos. Bela e certamente efetiva, mas sem muito espaço para originalidade.
Assista ao trailer de ‘O Esquadrão Suicida’
Menos história, mais tiro
Em “O Esquadrão Suicida”, o time de super vilões do segundo escalão é reunido mais uma vez quando uma revolução em um país fictício da América do Sul depõe o governo que apoiava os Estados Unidos.
Escalados pela sinistra Amanda Waller (Viola Davis), o time de mercenários, assassinos, seres super poderosos e monstros precisa impedir que uma arma misteriosa caia nas mãos dos novos ditadores.
Se a história parece genérica, com ecos da trama da fanfarra com astros de ação liderada por Sylvester Stallone em 2010, é porque realmente o é.
Mas menos preocupações entre idas e vindas da construção de um grande enredo significam que o roteiro de James Gunn pode se concentrar no que realmente interessa: tiros, explosões, sangue e membros voando pelos ares.
Estão lá também o humor sagaz e a ótima química entre os protagonistas, algumas das principais características que o cineasta emprestou aos seus dois “Guardiões da Galáxia”, da rival Marvel.
Joel Kinnaman, dois figurantes, Alice Braga, Daniela Melchior, Tubarão-Rei (voz de Sylvester Stallone), Idris Elba e John Cena em cena de ‘O Esquadrão Suicida’
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Esquadrão Suicida vs. O Esquadrão Suicida
Logo de cara, a continuação/recomeço tem a seu favor um elenco mais inspirado. Desde Davis (“A voz suprema do blues”) a Joel Kinnaman (“House of cards”), aqueles que retornam ganham participações muito mais ricas e, com isso, é nítido o quanto se divertem nas cenas.
A exceção talvez seja Margot Robbie – pelo menos em parte. Por mais que sua Arlequina também evolua em relação ao primeiro, fica difícil não compará-la à sua atuação em “Aves de Rapina” (2020), filme no qual pôde tirar todo o proveito da personagem.
Em relação ao resto da equipe, a comparação chega a ser injusta. Talvez atraídos por um roteiro melhor, ou pela oportunidade de trabalhar com Gunn, o novo time consegue nomes muito mais interessantes.
Idris Elba (“Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw”), que substitui Will Smith como o pistoleiro/líder relutante, tem oportunidade de explorar toda a canastrice que o antecessor foi obrigado a equilibrar com um drama desnecessário.
Com a adição de John Cena (“Velozes e furiosos 9”), David Dastmalchian (“Homem-Formiga e a Vespa”) e do próprio Stallone como a voz do Tubarão-Rei, “O Esquadrão Suicida” sobra em relação ao original. Até a brasileira Alice Braga (“A rainha do sul”) dás as caras.
Idris Elba e Viola Davis em cena de ‘O Esquadrão Suicida’
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Sangue & risadas
Desde a contratação de Gunn, o estúdio mostrava um desejo de arriscar mais. Isso fica claro desde o começo, com confrontos que justificam o nome da equipe e a classificação para maiores de idade nos Estados Unidos (no Brasil, a indicação é para maiores de 16 anos).
As sequências encharcadas de sangue e vísceras são quase tão divertidas quanto o humor usado, que lembra um pouco a marca da grande concorrente, mas que deve ser maduro o suficiente para agradar os fãs da habitualmente sisuda DC.
Episódios como a competição por mortes estilosas entre Elba e Cena ou o exercício de fortalecimento de equipe na boate são impagáveis.
Infelizmente, equilibrar tantos elementos compromete o ritmo da história, que começa forte mas se arrasta por longos momentos durante a aventura. O filme certamente terá cenas memoráveis, mas perde em coesão.
Mais do que isso, por mais que muitos sejam de certa forma inédita para o gênero de super-heróis, beiram perigosamente o clichê. Alguns deles, como os vilões ditadores latinos genéricos, impedem o surgimento de ideias novas e excitantes – e afastam “O Esquadrão Suicida” de algo verdadeiramente extraordinário.
Daniel Melchior e John Cena em cena de ‘O Esquadrão Suicida’
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