‘Nunca abusei de ninguém’, diz Plácido Domingo, um ano após acusações de assédio sexual


‘Quando descobri que tinha o coronavírus, prometi a mim mesmo que se saísse vivo lutaria para limpar meu nome’, disse tenor em entrevista a jornal italiano. Plácido Domingo participa de evento em NovaYork, em 2018
Reuters/Shannon Stapleton
O tenor espanhol Plácido Domingo, que foi contaminado com coronavírus e já está recuperado, garantiu em uma entrevista à imprensa italiana que nunca abusou de ninguém, apesar de ter sido acusado de assédio nos Estados Unidos em 2019.
“Eu mudei, não tenho mais medo. Quando descobri que tinha o coronavírus, prometi a mim mesmo que se saísse vivo lutaria para limpar meu nome”, disse ele em entrevista publicada na quinta-feira (5) pelo jornal italiano “La Repubblica”.
“Eu nunca abusei de ninguém, vou repetir enquanto viver”, frisou ele.
Plácido Domingo, de 79 anos, anunciou em março, de Acapulco (México), que testou positivo para o novo coronavírus e depois foi hospitalizado.
“Recuperar minha voz foi um milagre (…) Há dois ou três meses, eu não tinha certeza se poderia cantar novamente”, contou ele.
“A única coisa que me preocupa agora é deixar meu refúgio em Acapulco, de onde não saio há meses. Nunca passei tanto tempo em casa com minha mulher, meu filho, minha nora e meus dois netos”, afirmou ele.
“Agora é a hora de voltar ao normal”, segundo Domingo, embora ele acredite que “nossas vidas mudaram e, como você sabe, ainda é difícil para mim por causa das acusações contra mim” na mídia.
Essas acusações “desestabilizaram minha família e a mim” e “me causaram mais danos do que o vírus. Resta apenas observar que não poderei cantar em certas partes do mundo, como Estados Unidos ou Espanha, meu país. E não exatamente por causa de uma escolha do público, que constantemente me envia mensagens de solidariedade (…) Mas o que posso fazer? É a vida!”.
Em 2019, Plácido Domingo foi acusado pela imprensa americana de assediar sexualmente cerca de 20 mulheres nos Estados Unidos. Essas acusações obrigaram-no a abandonar seu cargo de diretor da Ópera de Los Angeles e a cancelar todas as suas representações no país. Na prática, isso encerrou sua carreira na América do Norte.
Acostumado a ser ovacionado no mundo inteiro, Placido Domingo sofre as consequências do movimento #MeToo, que começou com as acusações contra o produtor de cinema Harvey Weinstein em outubro de 2017.
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