Norwegian pedirá compensação econômica à Boeing por problemas com 737 MAX


Agência europeia suspendeu uso da aeronave após acidente na Etiópia no último domingo. Foto de 11 de março de 2019 mostra um Boeing 737 MAX 8 construído para TUI Group estacionado na fábrica da Boeing em Renton, no estado de Washington
Ted S. Warren/AP
A companhia aérea Norwegian anunciou nesta quarta-feira (13) que pedirá uma compensação econômica à companhia aeronáutica Boeing pelos prejuízos causados pela suspensão temporária de voos do modelo 737 MAX após o último acidente mortal na Etiópia.
A Agência Europeia de Segurança Aérea ordenou na terça-feira (12) a suspensão de todos os voos dos Boeing 737 MAX em seu espaço aéreo, se juntando a outros países como China, Austrália e Indonésia e a várias companhias aéreas, entre elas a própria Norwegian.
“Vamos enviar toda a conta para a Boeing. A Norwegian não vai sofrer nenhum prejuízo econômico por causa de um avião completamente novo que não pode ser utilizado para o tráfego aéreo”, declarou ao site do jornal econômico norueguês “E24” Lasse Sandaker-Nielsen, diretor de comunicação da companhia, de acordo com a EFE.
Em vídeo publicado na página da companhia na internet, o CEO da companhia, Bjørn Kjos, afirmou que vai “mandar a conta para aqueles que produzem a aeronave”.
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A empresa norueguesa, que nesta quarta cancelou cerca de 20 voos, estima que existem fundamentos jurídicos para exigir uma compensação econômica, apesar de nem a Boeing nem as autoridades americanas terem emitido até o momento qualquer ordem de suspensão.
A Norwegian garantiu na segunda-feira, um dia depois que 157 pessoas morreram em um acidente da Ethiopian Airlines, que seus 737 MAX 8 seguiriam operando com normalidade, mas avisou que mantinha um diálogo contínuo com a Boeing e que se adequaria às suas recomendações e às das autoridades aéreas.
A terceira maior companhia aérea de baixo custo da Europa, que no ano passado transportou 37 milhões de passageiros, dispõe de 18 aviões desse modelo, que usa em suas rotas transatlânticas entre a costa leste dos Estados Unidos e a Grã-Bretanha e a Irlanda.
O anúncio de suspensão temporária não afeta outros modelos distintos da Boeing da frota da Norwegian, como os 737-800 e os Dreamliner, explicou a companhia.
O acidente de domingo na Etiópia é o segundo em poucos meses envolvendo um Boeing 737 MAX 8, depois que outro voo operado pela companhia Lion Air caiu em outubro na Indonésia, 12 minutos após a decolagem, por falhas no sistema automático, o que provocou a morte de 189 pessoas.
Suspensões
Além da UE, outros países suspenderam a utilização do 737 MAX 8. A restrição varia: em alguns casos, a iniciativa partiu de companhias aéreas. Em outros, da agência reguladora do país ou da região (caso da União Europeia). Veja a lista:
África do Sul (Comair);
Argentina (Aerolíneas Argentinas);
Austrália;
Bermuda;
Brasil (Gol);
China;
Coreia do Sul;
Emirados Árabes Unidos;
Etiópia (Ethiopian);
Ilhas Cayman (Cayman Airways);
Índia;
Indonésia;
Kuwait;
Malásia;
Marrocos (Royal Air Maroc);
México (Aeromexico);
Mongólia (MIAT Mongolian);
Noruega (Norwegian);
Omã;
Singapura;
Turquia (Turkish Airways);
União Europeia
Índia
O Boeing 737 MAX 8 entrou em operação comercial no início de 2017. Segundo a Boeing, 350 aeronaves do modelo são operadas por cerca de 50 empresas no mundo.