Nicette ‘era uma pessoa muito querida’, diz Elizabeth Savalla


Atriz relembrou a sua amizade com Nicette Bruno, que faleceu aos 87 anos neste domingo (20), vítima da Covid-19, e disse ainda que a artista ‘se preservou o tempo todo’ do vírus, mas que em apenas ‘um dia, uma visita, a pessoa com máscara, e ela pegou’. A atriz Elizabeth Savalla falou por telefone com a GloboNews sobre a sua proximidade com a família de Nicette Bruno, que faleceu neste domingo (20), vítima da Covid-19, e lamentou a morte da artista.
Ela disse que Nicette “se preservou o tempo todo” da Covid-19. “E um único dia, uma visita, a pessoa com máscara, e ela pegou. E as pessoas estão na praia, não dá pra entender”
“Ela era uma pessoa muito querida”, disse. “Acho que Paulo está recebendo a Nicette no mundo espiritual. Eles são umas pessoas extremamente espiritualistas”.
Nicette Bruno ‘se preservou o tempo todo’ da Covid-19, diz Elizabeth Savalla
Elizabeth contou que conheceu Nicette aos 19 anos, no dia do aniversário de 18 anos de Bárbara Goulart, filha mais velha de Nicette com o ator Paulo Goulart. “Fui na casa deles e nós ficamos muito amigas”, lembra.
“Nicette, Paulo e os filhos deles acompanharam todo o decorrer da minha vida até aqui, os meus filhos, o nascimento das crianças”.
“A Nicete é uma mulher muito forte. Aguentou bem a passagem do Paulo. O amor dos filhos, dos netos, bisnetos, amigos ajudou que ela passasse por aquele momento, mas agora não sei quem que vai ajudar a gente”.
Carrossel JH – Foto de arquivo de Elisabeth Savalla
TV Globo
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Falecimento e internação
A atriz Nicette Bruno morreu na manhã deste domingo (20), aos 87 anos. Ela estava internada com Covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio.
De acordo com o boletim médico divulgado neste domingo (20), o estado de saúde de Nicette “era considerado muito grave”. Ela estava sedada e dependente de ventilação mecânica.
Atriz Nicette Bruno em foto de arquivo de 2010 na reestreia da peça Estranho Casal, no Teatro Renaissance, em São Paulo
Arquivo variedades/AE
A informação da morte foi confirmada pela hospital por volta das 13h20. De acordo com a Casa de Saúde São José ela morreu por “complicações decorrentes da Covid-19”.
“A Casa de Saúde São José informa que a atriz Nicette Bruno, que estava internada no hospital desde 26 de novembro de 2020, faleceu hoje, às 11h40, devido a complicações decorrentes da Covid-19. O hospital se solidariza com a família neste momento”, diz a nota de divulgação do hospital.
Relembre trajetória
Nicette Xavier Miessa nasceu em Niterói (RJ), no dia 7 de janeiro de 1933. Começou a carreira ainda pequena, aos 4 anos, em um programa infantil na Rádio Guanabara.
Ela dizia que até por isso resolveu adotar o sobrenome da mãe, Eleonor Bruno Xavier, de família com tradição artística.
Com cerca de 9 anos de idade, a jovem tomou gosto pelo teatro ao ingressar no grupo da Associação Cristã de Moços (ACM).
Nicette Bruno
Nathalia Fernandes / TV Globo
Depois disso, passou pelo Teatro Universitário e pelo Teatro do Estudante, criado pelo ator Paschoal Carlos Magno.
Aos 14 anos, já era atriz profissional na Companhia Dulcina-Odilon, da atriz Dulcina de Morais, na qual estreou na peça “A filha de Iório”. Pela atuação como Ornela, recebeu prêmio como atriz revelação da Associação Brasileira de Críticas Teatrais.
A paixão pelo teatro também teve reflexo na vida pessoal. Aos 19 anos, conheceu Paulo Goulart, com quem compartilhou quase 60 anos de casamento, ao contracenar com o ator na peça “Senhorita Minha Mãe”, no Teatro de Alumínio, futuro Paço Municipal, em São Paulo.
Nicette Bruno em Tenda dos Milagres
Bazilio Calazans
Os dois se casaram dois anos depois, em 1954, e ficaram juntos até a morte de Paulo, em 2014. Juntos, tiveram três filhos que seguiram a carreira dos pais: Paulo Goulart Filho, Bárbara Bruno e Beth Goulart.
“Eu e Paulo tínhamos uma afinidade cênica muito grande. Tanto que nos conhecemos em cena, né?”, disse a atriz.
“Trabalhar juntos era muito bom, porque tínhamos a mesma seriedade, sabíamos separar a nossa relação. Quando estávamos em cena, éramos personagens, não a nossa individualidade.”
O casal também fundou em 1953 a companhia Teatro Íntimo de Nicette Bruno, que teve participação de nomes como Tônia Carrero e Walmor Chagas.
Paulo Goulart e Nicette Bruno durante gravação da mensagem de fim de ano da Globo
Acervo Grupo Globo
Pouco tempo antes, começou também sua carreira na televisão. Em 1950, com a estreia da TV Tupi, participou de recitais e de teleteatros.
“Tudo isso era a época de televisão ao vivo, não havia ainda o videoteipe. Nós fazíamos televisão como fazíamos teatro. Era um teatro televisionado”, afirmou Nicette. “Com o videoteipe, começou-se a se criar uma nova linguagem de atuação em televisão.”
Na emissora, atuou na primeira adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida entre 1952 e 1962. Anos depois, estrelaria uma segunda versão da obra de Monteiro Lobato, produzida pela Globo entre 2001 e 2004, como Dona Benta.
“O diretor Roberto Talma queria que a Dona Benta tivesse uma identificação com a criança de hoje, mas preservando a essência da personagem”, contou sobre a atuação.
Nicette Bruno no Sítio do Pica-Pau Amarelo
Renato Rocha Miranda/Globo
“Achei muito interessante a ideia de ela se comunicar com o Pedrinho via internet, ao mesmo tempo dizendo ao neto: ‘Olha, tem tempo que você não me escreve uma carta ou um bilhete. Não devemos nos comunicar só por meio do computador. A emoção da escrita é muito grande, e eu quero sentir essa sensação’. Fiquei conhecida pelo público como Dona Benta.”
Após trabalho na TV Continental com Paulo Goulart, estreou em sua primeira novela com “Os fantoches”, em 1967, na TV Excelsior.
Voltou então à Tupi para grandes sucessos, como “Meu pé de laranja lima” (1970), “Éramos seis” (1977) e “Como salvar meu casamento” (1979) – inacabada, a novela foi a última da extinta emissora.
Nicette foi para a Globo em 1981 após convite do diretor e ator Fabio Sabag para fazer parte do elenco do seriado “Obrigado, doutor” como a freira Júlia, auxiliar do protagonista interpretado por Francisco Cuoco.
Na emissora, sua primeira novela foi “Sétimo Sentido” (1982), de Janete Clair. Na obra, deu vida a Sara Mendes, mãe da paranormal de Regina Duarte.
Depois, esteve em “Louco Amor” (1983), de Gilberto Braga, na qual interpretava a cozinheira Isolda.
“Era uma personagem interessantíssima, que guardava o segredo da novela. Foi um trabalho muito contido. Só no fim é que a personagem tinha uma grande cena, na qual se esclarecia o grande mistério da história”, disse sobre o trabalho.
Ao longo dos anos, integrou elencos de novelas como “Selva de Pedra” (1986), “Rainha da Sucata” (1990) e “Mulheres de areia” (1993).
Em 1997, interpretou sua primeira vilã em novelas da Globo, a malvada Úrsula, em “O amor está no ar”.
Depois de anos no novo “Sítio do Picapau Amarelo”, voltou a novelas em 2005 como a Ofélia de “Alma Gêmea”, de Walcyr Carrasco. Depois, esteve em outra obra do autor, “Sete pecados” (2007), como Juju, grande amor do personagem de Ary Fontoura.
Nos últimos anos, passou por novelas como “A vida da gente” (2011), “Salve Jorge” (2012), “Joia Rara” (2013), “I love Paraisópolis” (2015) e “Pega Pega” (2017).
Nicette Bruno em A Vida da Gente
Acervo/ TV Globo
Em 2020, foi homenageada na versão da Globo de “Éramos seis” ao interpretar madre Joana, uma freira que na reta final encontrava Lola (Gloria Pires), personagem que deu vida na original da TV Tupi.
Mesmo com o sucesso na televisão, a atriz nunca deixou o teatro, e integrou a maior parte dos principais grupos do país, recebeu prêmios e foi celebrada.
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