Nave Beatz: Quem é o vencedor do Grammy Latino que trabalha ao lado de grandes artistas brasileiros


Natural de Santa Catarina, Vinicius Moreira mudou-se para Curitiba ainda na adolescência e, hoje, faz sucesso produzindo batidas com Emicida, Marcelo D2, Flora Matos, entre outros nomes. Nave Beatz levou o Grammy após produção de álbum do Emicida
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Com uma estatueta do Grammy Latino na estante, Vinicius Leonard Moreira, o Nave Beatz, integra um dos grandes nomes da música brasileira. O produtor musical é o responsável pela criação de batidas de hits de artistas como Emicida, Marcelo D2 e Flora Matos.
Nascido em Santa Catarina, Nave se mudou para Curitiba ainda na adolescência. Foi no Paraná onde ele trocou o futebol pela música e começou a fazer sucesso.
Em novembro de 2020, o álbum “AmarElo”, de Emicida, venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa. O disco foi produzido e dirigido por Nave Beatz, que ganhou o prêmio pela primeira vez.
“Nunca ganhei prêmios assim, ainda mais dessa magnitude. A ficha cai quando o negócio chega na sua casa. Você pega na mão e fala: ‘é de verdade e vem com meu nome’. Volta e meia eu olho para estatueta no meu estúdio e não acredito que consegui ganhar”, disse Nave.
O produtor já havia sido indicado outras duas vezes para o prêmio. Uma delas foi por meio da canção Desabafo/Deixa Eu Dizer, lançada em 2008 por Marcelo D2.
Nave nasceu em Santa Catarina, mas teve contato maior com a música em Curitiba
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Referências e futebol
Nave conta que as referências para ele na música começaram dentro de casa. O avô dele foi baterista e o tio dele tocava em bares.
“Em casa, a minha mãe sempre teve instrumento musical, mas eu nunca me interessei por isso. Eu sempre fui um cara que queria jogar bola. Meu sonho era ser jogador de futebol”, lembrou.
Para ser atleta, Nave chegou a participar de seleções no Paraná Clube e avançou para uma série de testes no Coritiba quando tinha 15 anos. Apesar disso, decidiu seguir outro caminho.
“Era uma rotina muito puxada de treinamento. Comecei a ver que talvez gostasse mais de música do que de futebol. Eram cinco dias por semana: três dias eram para treino físico e dois eram treinos coletivos. Você só jogava bola dois dias e eu queria jogar bola todo dia.”
Carreira
Nave começou na música entre 19 e 20 anos de idade. O início foi em um grupo de rap, que abria festas em Curitiba.
“O Paraná sempre teve uma escola de cultura hip-hop desde o final dos anos de 1980, com os grupos de break. Na metade dos anos de 1990, já tinha uma cena de rap, que não era muito divulgada. A minha geração é muito filha desse pessoal que veio de 1997 para cá”, disse.
Grupos como Blackout e Comunidade Racional estão entre as referências de Nave, que representavam o cenário local da música, no Paraná.
Hoje, trabalhando como produtor de batidas ao lado de grandes nomes, Nave diz que busca referências naquilo que escuta todos os dias.
“É um trabalho de referência que é muito baseado no que você já ouviu. Esse tipo de comunicação que rola muito no estúdio. Cada um tem sua maneira de falar. Vai ter o artista que vai falar: ‘eu quero um violão mais azul’. Tem uns caras que dizem: ‘quero uma coisa mais avião voando no horizonte’. Tem essas piras sempre.”
Como produtor, Nave explica que a questão das mensagens trazidas nas músicas varia de acordo com artista. Um exemplo é o cantor Emicida, que busca tocar vidas e tirar pessoas de situações ruins. Ao mesmo tempo, outros artistas falam sobre festas ou miram nas redes sociais.
“Hoje em dia, a minoria está se importando com o conteúdo em si, a coisa social que o rap sempre teve. O rap está virando uma coisa mais pop, principalmente a vertente do trap. Estamos no Brasil, temos que jogar em todas as posições. É óbvio que a gente sempre tem um filtro, de repente tem um artista que quer abordar a música de tal maneira. Se eu não concordar com aquilo, acabo não fazendo. Mas, normalmente, as pessoas que me procuram já sabem o perfil de artista com quem eu trabalho.”
Nave trabalha ao lado de nomes como Marcelo D2, Emicida e Flora Matos
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