Nattan, cantor de ‘Morena’, fez 1º show para 6 pessoas, insistiu e virou novo ídolo do forró


Um dos principais nomes da nova onda do forró, cearense cantou em barzinhos, vendeu tudo para ir para Sobral e hoje tem vários hits de forró pop e romântico, com investimento de Xand Avião. Nattan
Divulgação
“A gente fez o primeiro show e tinham seis pessoas. E eu pensei: ‘Será que vai dar certo?”. Dois anos depois, suas músicas foram tocadas quase seis milhões de vezes em um dia só no YouTube.
Natanael Cesário dos Santos, 21 anos, começou tocando violão e cantando em barzinhos de Tianguá, no sertão cearense, vendeu tudo para tentar a carreira numa cidade maior e insistiu até virar um dos maiores nomes da nova onda do forró no Brasil. Ouça mais no podcast abaixo:
Ele tem sucessos como “Morena” e parcerias estouradas com Raí Saia Rodada (“Storiezin”), Zé Vaqueiro (“Não te quero”) e Elias Monkbel (a viral “O carpinteiro”). Seu forró pop e romântico é aposta do escritório Vybbe, que tem como um dos sócios o cantor Xand Avião.
O sucesso é resultado de um bom momento do forró e de um artista obstinado. Antes de persuadir grandes empresários do forró, Nattanzinho convenceu a avó a comprar um violão para ele aos nove anos. “Aprendi sem aula, só no YouTube e com amigos”, ele diz.
“Em Tianguá tinha um evento chamado Surto Cultural. Nas quintas-feiras, as pessoas se apresentavam na praça. A galera gostou, e foi onde tive uma motivação para a música”, ele lembra.
O adolescente Nattan virou cantor de barzinho em Tianguá e arredores. “Aonde tinha público eu ia”. O repertório também era sob demanda. “MPB, sertanejo, reggae. Cantei muito “Chão de Giz”, do Zé Ramalho, “Na hora da raiva” (Henrique e Juliano)…”
Pequenas estreias, grandes negócios
No início, ele alugava os equipamentos para tocar no bar. Depois, juntou dinheiro e comprou tudo. Mas a ambição ia além do bar. “Eu disse: ‘Quero ter uma banda, um show”. Foi aí que ele vendeu o que tinha, foi para Sobral e fez sua grande estreia para um público de seis pessoas.
“O primeiro show foi isso. Eu disse: ‘Meu Deus…’. Nattan não se deu por vencido. “Era perrengue em cima de perrengue. Ia fazer show em outra cidade e a descarga da van caía no meio do caminho. É muita história. Mas serviu de aprendizado”, ele lembra.
Nattan
Divulgação
A sorte virou
“Mas fui persistindo, persistindo. Até que Armando Carneiro, empresário de Ávine Vinny, me chamou para Fortaleza para começar um projeto”.
Eles conseguiram estourar em 2019 a música “Era eu”. A faixa foi regravada logo depois por Raí Saia Rodada, e ficou mais conhecida com ele. Mesmo assim, isso deu confiança a Nattan. “Aí eu vi uma luz no fim do túnel, sabe? Chegar no show, por mais que tivesse pouca gente, a galera cantando.”
O som de Nattan é o do forró eletrônico, linha de bandas que renovaram o estilo nos anos 90. Mas Nattan também faz misturas com a atual onda do forró de teclado, a pisadinha, como em “Storiezin” e na parceria com Zé Vaqueiro.
Para ele, o melhor do forró hoje é a possibilidade de mistura. “Virou tudo aquele forró, aquele piseiro”, ele tenta definir.
‘Achavam que era um velho cantando’
A mistura também é internacional. “Não te quero” é uma versão de “Heaven”, que o canadense Bryan Adams gravou em 1983 para o filme “Uma noite no paraíso”.
Em todas as músicas ele repete o bordão: “É o Nattanzinho, falando de amor…” Até a voz encorpada e romântica combina com a de Bryan (“muita gente que ouve minhas músicas sem conhecer minha cara achava que era um velho cantando”, diz Nattan).
Outra confusão que acontece neste início da fama após tanta insistência é chamarem o cantor pelo seu bordão. “Tem gente que chega para mim na rua e fala: ‘Você que é o Nattanzinho Falando de Amor?’, ele conta aos risos. “A marca pegou”, ele comemora.