‘Não me sinto nem um pouco preparada’, diz candidata ao Enem, moradora da periferia de BH e mãe de dois filhos


As provas estão marcadas para os dias 17 e 24 de janeiro. Nesta semana, o G1 traz uma série de reportagens sobre os desafios enfrentados por candidatos da periferia de Belo Horizonte. Adriana Cardoso com a filha Joana
Adriana Cardoso/Arquico pessoal
Dois meses antes das provas do Enem, Adriana Cardoso teve Covid-19. Ela ficou doente pouco depois de voltar ao trabalho, em um bar de Belo Horizonte.
“Foi em novembro. Tive dor de garganta, sintomas de gripe. Mas aí comecei a ter falta de ar. Dificuldade para subir as escadas da minha casa. Aí fiz o teste. Deu positivo”, contou a moradora do Morro do Papagaio, na Região Centro-Sul da cidade.
Este foi um dos obstáculos enfrentados por Adriana, que sonha em cursar administração. Mãe de duas crianças, ela havia se matriculado em um cursinho popular na comunidade, e tinha prazer em pegar os cadernos e ir até a sala de aula.
Mas, com a pandemia, cuidar da casa, dos filhos e ainda ter o celular como única forma de acompanhar o conteúdo foi demais para ela.
“Em casa tenho estudado muito pouco. Eu não me adaptei a essa vida on-line. Não tenho foco, paciência. Sala de aula ainda é o melhor lugar”, contou a atendente de bar.
As provas do Enem estão marcadas para os dias 17 e 24 de janeiro. Nesta semana, o G1 publica uma série de reportagens com candidatos da periferia de Belo Horizonte que vão fazer os testes.
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‘Seria melhor adiar’
Apesar das dificuldades, a atendente de bar vai fazer a prova.
“Não me sinto nem um pouco preparada. Acredito que seria melhor se adiasse mais um tempo”, disse ela.
Com a pandemia, Adriana prefere não fazer mais planos.
“Cada dia as coisas mudam e a gente tem que se adaptar. Você planeja uma coisa, não dá certo. É como se tivesse emendando um ano no outro. A gente espera é a vacina. E voltar a viver normalmente. É difícil acostumar com essa vida. Você acha que está acabando o número de mortos, aí sobe de novo”, falou Adriana, que hoje está em casa, e não no trabalho, após mais um fechamento do comércio da cidade.
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