‘Não dá mais para negar nossa existência’, diz 1ª pessoa a receber passaporte não binário nos EUA


Dana Zzyym, do Colorado, ganhou na justiça o direito de emitir o documento com o marcador de gênero x, destinado a quem não se identifica com os gêneros masculino e feminino. Dana Zzyym, pessoa não binária a ter o primeiro passaporte com marcador de gênero x nos EUA
Reprodução/Reuters
Dana Zzyym, primeira pessoa a ter um passaporte não binário nos Estados Unidos, celebrou a conquista anunciada na quarta-feira (27) pelo governo americano.
“Não dá mais para negar nossa existência”, disse Zzyym em entrevista à agência Reuters. “Estamos aqui, é lei. Sempre estivemos aqui, mas agora podemos dizer isso legalmente.”
O documento passará a ter um “marcador de gênero x”, destinado a quem não se identifica com os gêneros masculino e feminino (leia mais adiante nesta reportagem).
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Zzyym, ex-militar da Marinha Americana, ganhou este direito na justiça, mas o Departamento de Estado disse em nota se preparar para a emissão do documento em larga escala “assim que concluir as atualizações do sistema no início de 2022”.
“Eu me sentia em uma prisão”, disse Zzyym. “Não encontro outra maneira de descrever. Tive meu status de ser humano negado. Era como se eu não fosse um cidadão do meu país.”
“[O marcador x] é um reconhecimento legal para mim e para minha comunidade”, defendeu Zzym. “Eu posso ser eu, em todos os sentidos da palavra. É um momento incrível para mim.”
Marcador de gênero x
O novo passaporte americano vai contar, além das opções “masculino” e “feminino” na identificação do viajante, com um “marcador de gênero X”, que engloba uma série de significados:
não binário
intersexo
não consignado
Foto ilustra passaportes dos Estados Unidos
Spencer Davis/Pexels
O Departamento de Estado, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, disse que trabalha de perto com outras agências governamentais para garantir uma “experiência de viagem tranquila para os americanos, independente de sua identidade de gênero”.
Com essa mudança, os americanos se juntam a países como Canadá, Argentina, Austrália e Nova Zelândia.
A pasta ainda reforçou seu “compromisso para promover a liberdade, dignidade e equidade para todas as pessoas”, incluindo a comunidade LGBTQIA+.
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