Na COP26, cidade de SP assina compromisso para proibir vendas de carros não elétricos até 2040


Acordo firmado por países e cidades determina suspensão da venda de carros poluentes até 2035 em mercados desenvolvidos e até 2040 em outros locais. Brasil e Estados Unidos não assinaram documento. Ônibus do transporte público da cidade de São Paulo
Saulo Dias/PhotoPress/Estadão Conteúdo
A cidade de São Paulo está entre as signatárias de um acordo firmado nesta quarta-feira (10) na Conferência do Clima da ONU (COP26) para proibir a venda de novos carros emissores de gases do efeito estufa após 2040.
Além de São Paulo, outras cidades, como Buenos Aires, e países como Canadá e Reino Unido, assinaram o acordo. O texto determina que, em mercados desenvolvidos, a transição para a venda exclusiva de veículos não poluentes, como carros elétricos, deve ocorrer antes – até 2035. O Brasil não assinou o documento.
Montadoras como a Ford, a General Motors e a Mercedes-Benz também fazem parte do acordo. No caso das fabricantes, o compromisso é criar um plano de negócio para que, até 2035, todas as vendas de novos produtos sejam de veículos que não emitem poluentes. São considerados veículos limpos apenas aqueles cujos motores têm emissão zero de gases do efeito estufa, como carros elétricos, trens e bondes.
O acordo, que visa atingir as metas do Acordo de Paris, determina ainda que os governos e prefeituras signatários devem se comprometer a converter toda a sua frota de veículos, como ônibus municipais, para versões que não emitam poluentes até o ano de 2035.
O setor de transportes é um dos principais emissores de poluentes nas grandes cidades. Em São Paulo, o setor representa 62% do total de gás carbônico emitido na atmosfera.
Na cidade de São Paulo, apenas 1,6% dos ônibus já são elétricos. A meta da prefeitura era atingir 18% ainda neste ano, mas os planos foram alterados.
Prefeitura de SP estabelece nova meta para frota de ônibus elétricos no transporte municipal em 2024
A nova meta da gestão municipal é adicionar 2,6 mil ônibus elétricos na frota da cidade até 2024. Isso significaria aumentar a frota elétrica atual em cerca de 12 vezes, e atingir cerca de 20% da frota total.
Se cumprir esta meta, a prefeitura terá mais 16 anos para substituir os outros 80% dos ônibus da capital, de modo a cumprir o compromisso firmado na COP26.
Signatários do acordo
Além da capital paulista, outras 39 cidades, estados ou governos regionais assinaram o acordo.
Entre os países que firmaram o compromisso estão Chile, Holanda, Israel, México, Paraguai e Uruguai, em um total de 33 nações.
No entanto, ativistas do meio ambiente destacaram na COP26 que diversos países e montadoras importantes não participaram do acordo.
As fabricantes Toyota, Volkswagen e Nissan-Renault, que estão entre as maiores do mundo, não se juntaram ao grupo. Além disso, os governos dos Estados Unidos, China e Japão, três dos maiores mercados consumidores de veículos, também se abstiveram.
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