‘Mulheres apaixonadas’ estreia no Globoplay: Relembre as histórias da novela de Manoel Carlos


Obra exibida em 2003 tinha Christiane Torloni como a Helena da vez, a luta de Santana contra o alcoolismo e os abusos sofridos pelos idosos Flora e Leopoldo. Maria Padilha, Christiane Torloni e Giulia Gam em ‘Mulheres Apaixonadas’
João Miguel Júnior/Globo
A novela “Mulheres apaixonadas” estreia nesta segunda-feira (10) no Globoplay. Exibida em 2003, a obra de Manoel Carlos tinha Christiane Torloni como a Helena da vez, e ficou conhecida por contar diversas histórias diferentes.
Para quem quer rever o triângulo amoroso completado por Tony Ramos e José Mayer ou a luta de Santana (Vera Holtz) contra o alcoolismo, o G1 relembra alguns dos principais momentos da trama, além de curiosidades, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
A ideia do autor era fazer uma novela como se ela contivesse minisséries, contando várias histórias ao mesmo tempo.
“A trama era um painel de mulheres apaixonadas, de uma maneira ou de outra. Tinha aquela apaixonada pelo filho; apaixonada pelo álcool, alcoólatra; mulher apaixonada pelo homem que a espancava”, contou Manoel Carlos em entrevista ao Memória Globo.
“As histórias corriam paralelamente, se entrelaçando umas às outras. Eu fui montando as histórias de acordo com as prioridades que eu tinha.”
José Mayer e Christiane Torloni em ‘Mulheres Apaixonadas’
João Miguel Júnior/Globo
Na novela, cujo tema central era as várias formas de amar de uma mulher, Helena é casada com o saxofonista Téo (Ramos), mas tem uma recaída ao reencontrar um amor do passado, César (Mayer).
No início da história, César tem um caso com sua assistente, Laura (Carolina Kasting), relacionamento desaprovado pelos filhos. Logo depois, começa a namorar a residente Luciana (Camila Pitanga). A relação com Helena só começa lá pela metade da trama.
“Ser uma Helena é um prêmio, um presente. A personagem era uma anti-heroína, mas também a mocinha. Ela trai o marido, e o público vê isso naturalmente. Isso é um artifício magnífico de humanização dos personagens. É uma relação de identificação profunda, quanto mais complexo é o personagem, mais sucesso ele faz”, disse a sexta Helena de Manoel Carlos.
Vera Holtz em ‘Mulheres Apaixonadas’
João Miguel Júnior/Globo
Alcoolismo
Holtz eternizou Santana, uma professora que vivia embriagada.
“Um papel que tem uma função social muito grande, e eu tinha consciência disso. A Santana era dependente e professora, tinha tudo a perder. Ela bebia dentro do colégio. Era uma mulher solteira, botando em risco a vida, a saúde e a profissão”, afirmou a atriz.
“Era uma personagem pesada, muito forte. Tem uma cena em que eu bebo perfume. A personagem fica muito chateada, bate a cabeça no espelho, sangra. É uma cena dramática. Eu estava degradada, já num processo autodestrutivo muito grande, depois ela é internada.”
Oswaldo Louzada e Carmem Silva em ‘Mulheres Apaixonadas’
João Miguel Júnior/Globo
Flora e Leopoldo
Uma das histórias que mais mobilizou o público em “Mulheres Apaixonadas” foi a do casal de idosos Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada), que divide a casa com a família do filho Carlão (Marcos Caruso).
Sua neta Dóris (Regiane Alves), no entanto, enxerga os avós como um peso. A jovem frequentemente os maltrata, humilha, rouba dinheiro deles.
Uma das cenas mais esperadas da novela foi quando seu pai Carlão lhe dá uma surra de cinto para que ela aprenda a respeitar as pessoas.
Helena Ranaldi e Dan Stulbach em ‘Mulheres Apaixonadas’
Renato Rocha Miranda/Globo
Violência contra a mulher
A professora de Educação Física Raquel (Helena Ranaldi) esconde um fantasma do passado. Ela se mudou para o Rio de Janeiro para fugir do marido Marcos (Dan Stulbach).
Mas a certa altura da trama, ele reaparece e se revela um homem agressivo. Controlador, possessivo e doente, Marcos agride Raquel de várias formas, inclusive com uma raquete de tênis.
Longe de casa, onde vive um pesadelo, Raquel se apaixona por um aluno: o jovem Fred (Pedro Furtado). Os pais de Pedro não compreendem a relação dos dois e se opõem ao romance.
Curiosidades
A novela teve muitas cenas gravadas no mesmo dia em que foram ao ar, o que ajudou a manter a atualidade da história. O último capítulo foi editado e sonorizado poucas horas antes de sua exibição, por exemplo;
A Globo promoveu um concurso de seleção de fotos de telespectadores para a abertura de “Mulheres Apaixonadas”. As fotos deveriam mostrar mulheres em situação de paixão com companheiros, filhos, amigos e familiares. Cerca de 100 mil retratos foram enviados pelos telespectadores e, a cada 15 dias, ia ao ar uma nova vinheta de abertura, com fotos trabalhadas pela equipe de Hans Donner;
A personagem de Christiane Torloni foi a sexta Helena criada por Manoel Carlos em suas novelas. Ele batizou com o mesmo nome as protagonistas de “Baila Comigo” (1981, Lilian Lemmertz), “Felicidade” (1991, Maitê Proença), “História de Amor” (1995, Regina Duarte), “Por Amor” (1997, Regina Duarte) e “Laços de Família” (2000, Vera Fischer). Regina Duarte voltaria a interpretar uma Helena do autor em “Páginas da Vida” (2006). Em 2009, Taís Araújo viveu Helena em “Viver a Vida”. Em 2014, foi a vez de Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, dar vida à personagem na novela “Em Família”. Manoel Carlos explica a escolha como sendo um nome forte, adequado a personagens batalhadoras, que chegam a mentir por amor;
Manoel Carlos não previu que Marcos espancaria Raquel com uma raquete. A escolha foi circunstancial. Na verdade, o autor precisava inserir o personagem no universo da escola e o tornou um professor de tênis amador. Por isso ele vivia com uma raquete na mão. Manoel Carlos sugeriu a escalação de Dan Stulbach na novela após assisti-lo na peça “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, de Bosco Brasil, em que o ator contracenava com Tony Ramos;
O diretor Ricardo Waddington sugeriu que a atriz Giulia Gam lesse o livro “Mulheres que Amam Demais”, de Robin Norwood, para se inspirar na criação da ciumenta e neurótica Heloísa. Durante as gravações, a atriz visitou o grupo de apoio Mulheres que Amam Demais Anônimas (Mada). A atriz destaca a cena da internação da personagem. Ela encarnou o drama de Heloísa de tal forma – gritou, chorou, esperneou, debateu-se tanto – que o psiquiatra que acompanhava a cena e os familiares da atriz ficaram chocados;
“Mulheres Apaixonadas” foi vendida para vários países, incluindo Israel, onde foi ao ar no canal Viva, no horário nobre, simultaneamente à exibição, em outro canal, da novela “Esperança” (2002);
A novela foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo em setembro de 2008.