Mudanças simples na casa previnem acidentes e facilitam vida de idosos

A cama não pode ser alta nem baixa e o criado-mudo deve ser fixo para apoio

A cama não pode ser alta nem baixa e o criado-mudo deve ser fixo para apoio
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As dificuldades em decorrência do avanço da idade fazem com que muitos idosos se tornem vulneráveis a acidentes e quedas dentro da própria casa. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 12 mil idosos – pessoas acima de 60 anos – morreram por conta de quedas em 2017.

De acordo com a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), cerca de 30% dos idosos sofrem pelo menos uma queda e 50% deles acabam ficando com a mobilidade reduzida.

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O geriatra Renato Gorga, diretor científico da SBGG, afirma que os acidentes geram grande repercussão na vida dos idosos. Segundo ele, adaptações em casa podem reduzir o risco desses acidentes. “Muitos idosos têm medo de sair de casa porque acham que vão cair na rua, mas isso ocorre debaixo do próprio teto”, diz.

Gorga diz que retirar móveis de áreas de passagem, como mesas de centro ou abajures, e retirar tapetes ajudam a evitar que idosos tropecem ou se machuquem com as extremidades das mobílias. Outra adaptação possível é a fixação de outros móveis para que, caso o idoso se apoie para evitar uma queda, não gere outro acidente no qual móveis caiam sobre ele.

O banheiro é outro cômodo que merece atenção na casa. “A maioria dos acidentes com idosos acontece ali. É importante colocar barras de apoio em frente ao vaso sanitário para ajudá-lo a se levantar e na área em que ele toma banho para não escorregar. O tapete antiderrapante, com ventosas que o fixam no piso, também são essenciais para evitar uma queda. Elevadores de altura para o vaso sanitário podem ajudar também esse idoso na hora em que ele precisa se levantar”, explica o geriatra.

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No quarto, Gorga afirma que é importante que a cama não seja muito baixa nem muito alta, de maneira que o idoso consiga se levantar com facilidade. Para evitar acidentes noturnos, o médico recomenda que a cama fique encostada em uma parede e que o criado-mudo também seja fixo ou pelo menos sem rodinhas de maneira que ele possa se apoiar ali.

“Durante a noite, os idosos também ficam mais vulneráveis devido à falta de iluminação. Uma dica é colocar luzes que acendem por meio de sensores de movimento, facilitando a visão. A chamada luz noturna [utilizada em quarto de bebê], não é recomendada no quarto de idoso, mas pode ser colocada no corredor e em outros cômodos para facilitar a sinalização”, explica o geriatra.

Na cozinha, pratos e copos de vidro podem ser trocados por utensílios de plástico ou acrílico. Talheres e copos com alças podem ser adaptados principalmente para uso de pessoas com doença de Parkinson. Utilizar materiais coloridos e contrastantes também facilita a percepção da dimensão de profundidade para esse idoso.

“É interessante utilizar cores e fitas zebradas para ajudar o idoso. É bom colocar em barras de segurança e portas de vidro. Fitas antiderrapantes pode ser usadas em degraus, em cores que não sejam comuns na casa para chamar a atenção”, diz Gorga.

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Para facilitar a visão dessas pessoas, o médico recomenda que controles de TV sejam trocados por controles universais, que possuem botões com números maiores.

Outras quedas que podem ser evitadas são as relacionadas às ações que o idoso faz para pegar utensílios nos armários. O geriatra recomenda que os familiares o ajude a reorganizar a disposição dos materiais mais usados, disponibilizando-os em locais que estejam entre a altura do peito e da cintura. Já quando os objetos caem no chão, existe a opção de bengalas com pegadores.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

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