Mudança climática avança mais rápido que adaptação dos animais

Mudança climática avança mais rápido que a adaptação dos animais

Mudança climática avança mais rápido que a adaptação dos animais

Pixabay

A mudança climática avança mais rápido que a adaptação dos animais, de modo que pode ameaçar espécies e causar possíveis extinções que terão impacto direto na saúde dos ecossistemas, é o que diz um estudo publicado na revista “Nature Communications” por uma equipe internacional de pesquisadores.

A equipe é formada por 64 pesquisadores, entre eles Deseada Parejo, da Universidade de Extremadura (UEx) na Espanha, que, liderados por Viktoriia Radchuk, Alexandre Courtiol e Stephanie Kramer-Schadt, do Leibniz Institute for Zoo and Wild Life Research na Alemanha, avaliaram mais de 10 mil estudos científicos publicados.

Os resultados das análises, publicados na revista científica, são “preocupantes”, pois, embora os animais respondam habitualmente à mudança climática, suas respostas são, em geral, “insuficientes” para fazer frente ao ritmo acelerado do aumento das temperaturas e, em algumas ocasiões, vão em direções “equivocadas”.

Na fauna silvestre, informou a UEx em nota, a resposta mais frequente à mudança climática é uma alteração no tempo dos eventos biológicos, como hibernação, reprodução e migração (características fenológicas).

As mudanças no tamanho e na massa corporal e outras características morfológicas também são associadas com a mudança climática, mas, como confirma este estudo, não mostram um padrão sistemático.

Segundo a autora principal da pesquisa, Viktoriia Radchuk, ficou demonstrado que, nas regiões temperadas, o aumento das temperaturas está associado “com a mudança no tempo dos eventos biológicos mais antecipados”.

Segundo Deseada Pareja, os pesquisadores analisaram em cada zona de estudo três questões: o aumento da temperatura, as mudanças adaptativas em resposta ao aquecimento e se tais modificações oferecem às aves algum benefício em termos de aptidão biológica, por exemplo, tendo maior descendência, o que poderia ser considerado como uma adaptação.

“Comprovamos que nem todas as aves experimentaram mudanças, e quando sim, estas não são perfeitas no sentido de proporcionarem benefícios em termos de aptidão biológica, ou seja, não são adaptativas”, explicou a pesquisadora.

Concretamente, a equipe da UEx contribuiu para esta pesquisa internacional com o estudo de duas espécies de aves, o rolieiro-europeu (Coracias garrulus) e o mocho-d’orelhas (Otus scops), na região de Guadix-Baza, na província de Granada.

Nesse local foi constatado que a temperatura não aumentou de maneira significativa, mas foi possível observar que as duas aves “estão pondo ovos cada vez mais cedo” a cada ano, segundo Deseada Pareja.

Essa antecipação da postura de ovos não traz benefícios ao mocho-d’orelhas porque eles não têm maior descendência quando procriam mais cedo, enquanto os rolieiros têm sim mais descendentes ao adiantarem seu período de reprodução.

No entanto, a pesquisadora da UEx esclareceu que não se pode falar de uma mudança adaptativa, já que não há um aumento significativo de temperatura na região concreta de estudo e porque, além disso, segundo os modelos matemáticos de persistência das espécies elaborados em função de parâmetros populacionais, o rolieiro pode estar em risco de extinção local.

Os autores do estudo sugerem que as espécies podem permanecer em seus hábitats que estão cada vez mais quentes, sempre e quando ocorreram mudanças “suficientemente rápidas” para a adaptação à mudança climática.

No entanto, os especialistas alertam que as populações que estão experimentando uma mudança adaptativa fazem isso “num ritmo que não garante sua existência”.

Segundo os pesquisadores, o fato “mais preocupante” é que os dados analisados incluem espécies que são em sua maioria comuns e abundantes, como o Chapim-real (Parus major), o Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) e o Pega-rabuda (Pica pica), que são conhecidos por enfrentarem relativamente bem a mudança climática.

Os cientistas esperam que a análise e os conjuntos de dados reunidos estimulem pesquisas sobre a resiliência das populações animais frente à mudança climática e contribuam para uma melhor estrutura preditiva para ajudar em ações futuras de gestão da conservação.

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