Mourão diz que governo não renovará GLO na Amazônia; militares darão apoio logístico


Com decisão, operação de Garantia da Lei e da Ordem acaba nesta sexta (15). Chefe do Conselho da Amazônia, Mourão disse que órgãos fiscalizadores estão com maior capacidade de ação. Vice-presidente, Hamilton Mourão, em imagem de maio deste ano
Guilherme Mazui/G1
O vice-presidente Hamilton Mourão informou que o governo federal não renovará a operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que permite o emprego de militares em ações de combate a crimes ambientais na Amazônia. Assim, a operação termina nesta sexta-feira (15).
Segundo Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal, as Forças Armadas continuarão a atuar na Amazônia para prestar apoio logístico nas ações lideradas por órgãos civis de fiscalização.
A operação foi autorizada pelo presidente Jair Bolsonaro no final de julho e tinha previsão de se encerrar em 31 de agosto. O governo, no entanto, decidiu prorrogar por mais 45 dias. Agora, foi anunciada a opção por não prorrogar o emprego dos militares.
“Sem renovação da GLO. O que foi acertado: as Forças Armadas continuam a prestar apoio logístico, de comunicações e de inteligência. O Ministério do Meio Ambiente, que teve o seu orçamento duplicado, repassa o recurso necessário para o Ministério da Defesa. Coordenação feita dentro do grupo gestor e pronto, segue o baile”, disse Mourão.
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Apoio logístico
O apoio logístico por parte das Forças Armadas, mencionado pelo vice-presidente, já é previsto por lei, de forma permanente. Na chamada “GLO ambiental”, as tropas também foram autorizadas a agir em operações preventivas e repressivas para combater desmatamento e queimadas ilegais, por exemplo.
O governo já tomou decisão similar em abril, quando encerrou a Operação Verde Brasil 2. Na ocasião, as Forças Armadas também voltaram a atuar no apoio logístico das ações, lideradas por órgãos como Ibama e ICMBio. No entanto, os altos índices de desmatamento fizeram o governo empregar os militares outra vez.
Segundo Mourão, agora os órgãos de fiscalização estão com maior capacidade de fazer o trabalho, pois houve reforço de pessoal e de dinheiro.
“As agências ambientais estão com mais gente agora em condições de trabalhar. Vamos lembrar que no ano passado a intensidade da Covid era muito maior, pessoal não estava vacinado, tem muita gente de mais idade que são funcionários das agências e agora estão em condições de trabalhar full [tempo integral]”, argumentou Mourão
A decisão de retirar os militares mais uma vez da liderança das ações de preservação ambiental ocorreu às vésperas da conferência sobre o clima das Nações Unidas (ONU), a COP 26, que discutirá no próximo mês, na Escócia, formas de reforçar a preservação ambiental e tentar conter as mudanças climáticas.
O governo do presidente Jair Bolsonaro é criticado por ambientalistas, empresários e políticos por conta da política ambiental, com registros de aumento do desmatamento e das queimadas desde o início da gestão, em 2019.