Moradores do extremo Sul do Amapá buscam reconhecimento de 19 áreas como quilombos


Juntas, as comunidades que ficam em Laranjal do Jari e em Vitória do Jari podem se tornar a maior região quilombola do estado. Comunidades de Laranjal do Jari e Vitória do Jari tentam obter certificado de território quilombola
Gabriel Penha/GEA/Divulgação
No extremo Sul do Amapá, 19 comunidades se declaram como remanescentes de quilombos e buscam em 2021 o reconhecimento oficial dessa condição. Caso a região consiga a certificação da Fundação Cultural Palmares, os moradores irão compor a maior região de quilombos do estado.
Caso sejam reconhecidos oficialmente, os povos se unirão à comunidade de Tapeireira, que já possui a certificação.
Caso sejam certificadas, as 19 comunidades se integram à Tapeireira e se tornarão o maior quilombo do Amapá
Gabriel Penha/GEA/Divulgação
As localidades ficam nos municípios vizinhos de Laranjal do Jari e Vitória do Jari. A região foi visitada em julho pela Secretaria Extraordinária de Políticas para Afrodescendentes (Seafro), que fez o mapeamento da região.
O titular da entidade, Joel Borges, informou que foram reunidas todas as documentações necessárias, incluindo atas de reuniões e relatórios fotográficos, para encaminhar à fundação federal.
“A certificação é a legitimação. Estamos dialogando com a Fundação Palmares no sentido de agilizar esses processos e consolidar a criação do que será o nosso maior território quilombola”, detalhou Borges.
Atualmente, a maior região de quilombo do Amapá compreende 5 comunidades localizadas no município de Mazagão, a 32 quilômetros de Macapá.
Moradores foram visitados e fizeram o autorreconhecimento como povos de territórios remanescentes quilombolas
Gabriel Penha/GEA/Divulgação
Comunidades quilombolas
As comunidades quilombolas são grupos com identidade cultural formada a partir de um processo histórico que remete aos tempos de escravidão no Brasil.
Estas localidades buscam manter vivas as tradições, costumes e crenças trazidos pelos antepassados africanos ao país como forma de resistência.
No Amapá, existem cerca de 40 comunidades quilombolas reconhecidas atualmente. Entre as localidades, recebe destaque o quilombo do Curiaú, em Macapá, que, através das belezas naturais, se tornou um dos pontos turísticos mais visitados do estado.
Mudanças com a certificação
A Fundação Cultural Palmares foi criada em 22 de agosto de 1988 por meio de lei federal com o objetivo de “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.
Já o processo de titulação de comunidades remanescentes de quilombos através de certificação garante o território para estas populações, além de proporcionar o acesso a políticas públicas que viabilizam a garantia do direito a cidadania, identidade, memória, preservação das manifestações culturais, acesso à educação, melhorias sanitárias, oportunidades de emprego, entro outros.
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