Mongol, compositor de ‘Agonia’, deixa obra que foi além da parceria com Oswaldo Montenegro


Morto aos 64 anos no Rio de Janeiro, vítima de covid-19, artista carioca tem carreira associada ao ‘Menestrel’, em que pese o sucesso alcançado na década de 1990 como integrante da banda Akundun. ♪ OBITUÁRIO – “Mongol se foi. Oswaldo não tem como falar. Perdeu o menino com quem sonhou a vida desde os oito anos de idade. Não tem nem o que, nem como dizer. Nada. Oswaldo está em silêncio”.
Postado nas redes sociais de Oswaldo Montenegro, o breve comunicado assinado pela flautista Madalena Salles dá bem a dimensão da ligação fraterna e profissional do artista com Mongol.
Compositor, cantor e músico carioca, Arlindo Carlos da Silva Paixão (2 de maio de 1957 – 11 de maio de 2021), o Mongol, saiu de cena na noite de ontem, aos 64 anos, vítima de covid-19, em hospital da cidade natal do Rio de Janeiro (RJ).
Como vocalista e líder da banda de reggae Akundun, Mongol obteve na segunda metade dos anos 1990 expressivo sucesso com a música Emaconhada, composta pelo artista e apresentada em disco lançado em 1996 pelo grupo carioca.
Contudo, a trajetória profissional de Mongol está primordialmente associada na memória popular à carreira de Oswaldo Montenegro, de quem Mongol foi parceiro em várias músicas – A dama do sucesso (1986), Aquela coisa toda (1980), Coisas de Brasília (1981), Estrada nova (2002), Lume de estrelas (1981), Olhos do mundo (1981), Sempre não é todo dia (1987) e Voar leve (1980), entre outras – propagadas pela voz do Menestrel.
Como se não bastassem tantas parcerias, o maior sucesso de Mongol como compositor, Agonia, ganhou o festival MPB-80 (TV Globo), com a defesa de Montenegro em interpretação antológica. Mongol compôs Agonia sozinho.
Capa do primeiro álbum de Mongol, ‘Olhos vigilantes’, lançado em 1985
Divulgação
O sucesso de Agonia foi tamanho que, no festival seguinte, MPB-Shell 81, Mongol tentou a sorte como compositor e intérprete de Atalho, música lançada em single que, naquele ano de 1981, tentou alavancar discografia iniciada por Mongol em 1980 com single duplo autoral com as músicas Alguma coisa e Esse fogo em mim.
Em 1985, no embalo da participação do cantor no Festival dos Festivais (TV Globo) com a música Meus bons amigos, Mongol lançou pela gravadora Som Livre o primeiro álbum solo, Olhos vigilantes. O segundo, Histórias são canções (2007), viria ao mundo 22 anos mais tarde.
Entre um álbum solo e outro, Mongol integrou na década de 1990 as bandas Rotnitxe – com a qual obteve alguma repercussão com o Reggae da polícia (Mongol, Tom Capone, Mário Moura e Mauro Manzoli, 1993) – e a já mencionada Akundun, em outro momento gregário de trajetória também marcada pela presença do artista no coletivo Os Menestréis, grupo de instrumentistas, atores e compositores que encenaram com Oswaldo Montenegro espetáculos musicais como Dança dos signos (1982) e Aldeia dos ventos (1987).
Mongol, o menino que concretizou o sonho da música ao lado de Oswaldo Montenegro, se foi. Mas deixou canções que deram origem, ao longo dos últimos 40 anos, a uma bela história de vida e música.