MIT elege envelhecimento como tema de sua revista



O que acontecerá quando as gerações mais velhas, saudáveis e afiadas intelectualmente, não precisarem passar o bastão?
A “MIT Technology Review” dedicou sua edição de setembro/outubro ao envelhecimento. Trata-se da revista do MIT (Massachusetts Institute of Technology), um dos maiores centros de inovação no mundo, que não fecha os olhos para as mudanças no perfil demográfico do planeta. Os números gritam: os norte-americanos acima de 65 anos correspondem a 16% da população, mas serão 21% em 2035, ultrapassando o grupo dos que têm menos de 18. O Japão já estava na dianteira, mas Alemanha, Itália, França e Finlândia não ficam atrás. Um quarto dos europeus terá mais de 65 anos por volta de 2050.
Há quem pinte cenários tenebrosos, usando termos como bomba-relógio demográfica, mas a revista afirma que não estamos diante de uma crise incontornável. Novas tecnologias e políticas de emprego manterão pessoas talentosas no mercado durante mais tempo. Equipes reunirão profissionais jovens e maduros e serão mais produtivas. Nicole Maestas, economista de Harvard e uma das entrevistada pela publicação, diz que houve realmente uma diminuição da produtividade nos Estados Unidos entre 1980 e 2010, mas a culpa por essa queda não pode ser debitada ao maior número de idosos que deixaram de trabalhar – na verdade, na média, a força de trabalho é hoje menos produtiva.
Longevidade: aumento da expectativa de vida remodela a narrativa tradicional sobre a velhice
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Para Rebecca Roache, professora da University of London, poderemos nos deparar com uma nova questão: o que vai acontecer quando as gerações mais velhas, ainda saudáveis, afiadas intelectualmente e produtivas, não precisarem passar o bastão? Na sua opinião, trata-se do limiar de “uma nova crise da meia-idade”: “indivíduos na faixa dos 80 anos poderão ocupar os cargos e fazer o trabalho de quem está na casa dos 50. Estarão muito bem fisicamente e terão mais experiência e sabedoria”, escreveu. Isso pode não estar longe. A indústria farmacêutica vem apostando muitas fichas na longevidade. Joan B. Mannick, cofundador da resTorbio, uma empresa de biotecnologia, vem realizando testes com uma medicação oral, chamada de RTB101, que pretende retardar o declínio do sistema imunológico. Mannick diz que terá as primeiras respostas sobre o potencial da droga em um ano.
A publicação traz ainda um artigo de Joseph f. Coughlin, diretor do AgeLab, que pertence ao MIT e já foi tema de uma das colunas desse blog. Coughlin, autor de um livro sobre a economia da longevidade, diz que o conceito de velhice é uma invenção nociva. “Produtos criados para as pessoas mais velhas só reforçam a imagem negativa de que elas são fracas e passivas. Há uma distância enorme entre o que o mercado oferece e o que os indivíduos querem”, critica.
Bom exemplo de para onde essa geração quer ir é Tom Kamber, criador do Senior Planet, cuja missão é empoderar idosos na área de tecnologia. Na entrada da sua empresa está escrito: “Envelhecendo com atitude”. Sem rodeios, dispara: os mais velhos não querem detectores de queda e botões de emergência pendurados no pescoço. “Eles estão aqui para se reunir, aprender e desfrutar de momentos de camaradagem. A tecnologia os atropelou, mas querem seu lugar no mundo de volta. Querem criar produtos para pessoas da sua faixa etária. Querem trabalhar e ganhar dinheiro usando Instagram e PayPal”, sintetiza.