Ministro da Educação diz que há crianças com grau de deficiência em que ‘é impossível a convivência’


Na terça (17), Milton Ribeiro afirmou, durante entrevista à TV Brasil, que alunos com deficiência ‘atrapalham’ o aprendizado de outros estudantes. ‘Deveria dar a oportunidade para outra pessoa assumir essa estratégica posição para o país’, afirmou presidente do Instituto Rodrigo Mendes. Milton Ribeiro diz que há crianças com deficiência em que ‘é impossível a convivência’
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou nesta quinta-feira (19) que há crianças com “um grau de deficiência que é impossível a convivência” (veja vídeo acima). A declaração foi dada durante uma visita ao Recife, dias depois de uma entrevista em que ele afirmou que estudantes com deficiência atrapalham o aprendizado de outros alunos.
“Nos temos hoje 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência. O que o nosso governo fez: em vez de simplesmente jogá-los dentro de uma sala de aula, pelo ‘inclusivismo’, nós estamos criando salas especiais para que essas crianças possam receber o tratamento que merecem e precisam”, afirmou Ribeiro.
A declaração de Milton Ribeiro ocorreu após a reinauguração do Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco, na Zona Norte da cidade. Questionado sobre a entrevista transmitida no dia 9 de agosto, no programa Novo Sem Censura, ele afirmou que a repercussão dada às frases é “questões políticas”.
No Recife, Milton Ribeiro falou sobre educação de crianças com deficiência
Pedro Alves/G1
Na fala anterior, Ribeiro disse que, quando uma criança com deficiência é incluída em salas de aula com alunos sem a mesma condição, ocorre o que chamou de “inclusivismo”, em que a criança não aprende e, “atrapalhava, entre aspas”, a aprendizagem das outras.
Nesta quinta-feira, ele afirmou que, ao dizer que as crianças com deficiência atrapalham as outras, falou “entre aspas”.
“[…] esses 12%, elas são, realmente, elas se atrapalham mutualmente. Nem uma ouve, nem o outro entende. Porque uma criança, por exemplo, com um grau muito elevado de um tipo de problema, essa criança não consegue aprender”, declarou.
Ministro da Educação, Milton Ribeiro, participou da reabertura do Museu do Homem do Nordeste, no Recife, nesta quinta-feira (19)
Pedro Alves/G1
O G1 questionou o Ministério da Educação sobre os números informados pelo ministros e sobre como são feitas as classificações dos graus de deficiência citados por Milton Ribeiro, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Rodrigo Hübner Mendes, que preside o instituto Instituto Rodrigo Mendes, de desenvolvimento de programas de pesquisa, formação continuada e controle social na área da educação inclusiva, criticou a frase.
“O Ministro insiste em demonstrar que não está à altura do cargo. Pensar e afirmar que alguma criança do planeta é de convívio impossível revela uma profunda intolerância e ignorância técnica sobre o tema. Não tem mais como tentar consertar. Deveria dar a oportunidade para outra pessoa assumir essa estratégica posição para o país”, disse.
Repercussão
O senador Romário Faria (PL) publicou no Twitter uma série de postagens contra a fala de Milton Ribeiro sobre crianças com deficiência. O parlamentar é pai de Ivy, de 15 anos, que tem síndrome de Down.
Romário afirmou que “somente uma pessoa privada de inteligência, aqueles que chamamos de imbecil, podem soltar uma frase como essa. Eles existem aos montes, mas não esperamos que estes ocupem o lugar de ministro da Educação de um país”.
O ministro, por sua vez, respondeu às postagens e disse que “é muito deselegante quando um representante do parlamento se dirige desta maneira a um ministro de estado, ainda mais com base em uma frase tirada do contexto”.
Na entrevista no Recife, ele afirmou que admira o parlamentar.
“O que aconteceu na polêmica, que envolveu o nosso senador Romário, que é um ídolo do Brasil, que eu respeito muito como jogador de bola e como senador da República, que eu respeito, é que, depois eu descobri, que ele tem uma filha com deficiência, com síndrome de Down, e essa semana nós vamos conversar, porque ele já, já entramos em contato e nesta semana vamos nos encontrar para que, quem sabe, ele possa entender, eu creio que parte ele já entendeu, mas ele se tornar um dos nossos apoiadores nessa política de inclusão, e não de exclusão”, declarou.
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