Ministério ainda não divulgou dados nacionais de agosto sobre dengue, zika e chikungunya


Pasta diz que números serão publicados nesta semana após mudança no formato das informações. Últimos números, relativos a julho, mostravam aumento de mais de 600% nos casos de dengue neste ano. Aedes aegypti possui coloração escura e listras brancas pelo corpo
Pixabay/Divulgação
O Ministério da Saúde ainda não divulgou nenhum dado nacional sobre a incidência de dengue, zika e chikungunya relativos ao mês de agosto. Até junho, os dados eram publicados semanalmente e, em julho, passariam a ser quinzenais. Mas, já em setembro, nenhum dado relativo às doenças no último mês foi publicado.
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O ministério argumenta que está trocando o formato na divulgação das informações e que, por isso, os dados serão apresentados ainda esta semana. A pasta informou ainda que a redução na periodicidade das informações era prevista e acompanha a sazonalidade das doenças.
O último dado divulgado pelo ministério, em boletim de 8 de agosto, mostrava um aumento de 610,6% nos casos prováveis de dengue até o dia 28 de julho, em comparação com o mesmo período do ano passado.
O país passava por uma epidemia da doença naquele momento – eram 1.393.062 casos prováveis, com 914.310 confirmados e 527 mortes em todo o país. Em São Paulo, o número de casos prováveis da doença cresceu quase quarenta vezes este ano, passando de 10.939 em 2018 para 430.580. Zika e chikungunya, transmitadas pelo mesmo mosquito Aedes aegypti, também tiveram aumentos nacionais de 45% e 34,6%, respectivamente.
Ministério diz que dengue é tratada com prioridade
O Ministério da Saúde disse em nota que “as ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade” e informou ter apoiados os governos locais desde o começo do ano com envio de componentes para diagnóstico das doenças. A pasta também lembrou que realizou campanhas de comunicação para prevenção e conscientização do combate ao mosquito, além de listar publicações em redes sociais oficiais do ministério sobre o tema.
O infectologista e doutor em Medicina Tropical Pedro Tauil, no entanto, alerta para os possíveis impactos da falta de divulgação de dados sobre as doenças. Ele lembra do aumento no número de casos de sarampo no país este ano, e acredita que isso pode ter relegado a dengue ao segundo plano.
“A sociedade perde a perspectiva se ninguém mais fala em dengue e com isso relaxa nas medidas de prevenção que são próprias da população”, diz ele.
Tauil explica o aumento no número de casos de dengue pela reintrodução de um dos tipos da doença no país este ano e diz que a expectativa é de redução no número de casos a partir de agosto, mas não por controles específicos feitos no combate às doenças. Segundo ele, as baixas temperaturas e diminuição das chuvas durante este período reduzem as atividades do mosquito transmissor das três doenças.