Mary Sommerville, a gênio autodidata que foi declarada ‘rainha da ciência’ e depois caiu no esquecimento

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<img class="croppable" src="https://img.r7.com/images/mary-somerville-12012020080336876?dimensions=660×360" title=" Mary se destacou em uma época em que era ainda mais difícil para as mulheres estudarem ciência

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<span class="legend_box "> Mary se destacou em uma época em que era ainda mais difícil para as mulheres estudarem ciência

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A escocesa Mary Somerville conseguiu, no século 19, um feito impressionante: traduziu obras científicas e escreveu um livro abarcando diversos campos da ciência, explicando de forma simples e compreensível as partes mais complicadas da física, da química, da astronomia.</p>
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Autodidata, fez isso em uma época em que era ainda mais díficil para mulheres terem educação científica.</p>
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Isso lhe rendeu o apelido de "rainha da ciência" na época, mas sua história hoje em dia não é tão conhecida.</p>
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Nascida em 1780, Mary cresceu passeando pelo campos da Escócia, coletando conchas na praia e observando as aves. Sua educação formal se limitava às disciplinas consideradas "femininas" à época: pintura, música e francês.</p>
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No entanto, quando foi alfabetizada — aos dez anos —, começou a ler vorazmente centenas e livros e revistas, basicamente tudo o que pudesse encontrar, incluindo peças de Shakespeare.</p>
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O incentivo, contudo, não vinha de casa. Seu pai era um oficial naval que passava longos períodos no mar, enquanto a mãe se interessava apenas por textos religiosos.</p>
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<span class="legend_box "> Mary cresceu na Escócia, onde teve muito contato com a natureza X e Y

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Aos 13 anos, em um dos chás que a mãe organizava para reunir as amigas, uma jovem mostrou a Mary o que descreveu como "uma revista com imagens coloridas de vestidos, charadas e quebra-cabeças".</p>
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"No final de uma página, li o que pensei ser uma simples pergunta aritmética", escreveu a jovem em seu diário.</p>
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"Mas, quando virei a página, fiquei surpresa ao ver números misturados com letras, principalmente X e Y, e perguntei: ‘O que é isso?’ ‘Oh’, disse Miss Ogilvie, ‘é uma espécie de aritmética: eles chamam de álgebra’".</p>
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Depois de insistir para que todos os seus "conhecidos ou parentes" explicassem o que era álgebra, finalmente alguém lhe disse que ela poderia aprender com um livro chamado "Euclides".</p>
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<span class="legend_box ">As revistas estavam entre os materiais de leitura considerados ‘apropriados’ para as damas

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A jovem teve que implorar ao tutor do irmão que lhe comprasse o livro, porque na época se considerava que não era "certo" uma mulher ler "esse tipo de coisa".</p>
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Sem deixar de fazer as atividades "corretas para ela", isto é, tocando piano, pintando e arrumando roupas, Mary se dedicou a estudar álgebra. Ela lia antes de dormir — já que seus pais não viam com bons olhos seus estudos sobre o tema.</p>
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Com medo de que ela acabasse "em uma camisa de força", eles chegaram a tirar a vela que mantinham em seu quarto para impedi-la de ler à noite. No escuro, Mary revisava mentalmente os seis primeiros livros de Euclides até sentir que os sabia de cor.</p>
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<strong>O primo errado</strong></p>
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O casamento de Mary com Samuel Grieg, um primo distante, foi arranjado por seus pais. A união foi desastrosa para sua vida intelectual.</p>
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Sobre o marido, escreveu que ele acreditava que as mulheres tinham baixa capacidade intelectual e "não tinha nenhum conhecimento ou interesse em ciência de nenhum tipo".</p>
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O casal foi morar em Londres e teve dois filhos. Grieg morreu em 1808, quando Mary tinha 28 anos.</p>
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Após sua morte, ela voltou para a Escócia e, embora estivesse amamentando, tinha muito tempo para retomar seus estudos, conforme escreveu na época.</p>
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"Estudei trigonometria plana e esférica, seções cônicas e astronomia de (James) Fergusson."</p>
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<strong>O primo certo</strong></p>
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Em Edimburgo, Mary finalmente começou a encontrar pessoas com as mesmas afinidades.</p>
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Ela ganhou uma medalha de prata por resolver um problema publicado em uma revista de matemática, levantado por William Wallace, que se tornaria o primeiro professor de matemática da Universidade de Edimburgo.</p>
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Ele foi um dos matemáticos respeitados com quem ela se correspondia.</p>
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Mary também conheceu pessoas com novas teorias sobre o mundo natural, estendeu seus estudos para astronomia, química, geografia, microscopia, eletricidade e magnetismo e usou a herança que recebeu de Grieg para comprar uma biblioteca de livros científicos.</p>
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Quando conheceu seu segundo marido, William Somerville, já estava claro que ela era uma pessoa excepcional.</p>
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Somerville também era seu primo e médico, mas, diferentemente de Grieg, tinha uma mente curiosa e estava encantado por ter encontrado uma esposa tão inteligente.</p>
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Ele e seus pais incentivaram a pesquisa científica de Mary.</p>
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<span class="legend_box ">Os Somerville frequentavam o Royal Institution, fundado em 1799 para difundir o conhecimento

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Eles viveram primeiro em Edimburgo e depois em Londres, e estavam bem conectados com a vibrante cena intelectual da época: eram amigos do pioneiro da computação Charles Babbage, do astrônomo John Herschel, do polímata Thomas Young, que trabalhou com temas tão variados quanto a teoria das ondas de luz ou os hieróglifos.</p>
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Finalmente, Mary estava em seu lugar.</p>
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<strong>Renascimento</strong></p>
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Ela teve outros quatro filhos e, enquanto os criava, começou a conduzir seus próprios experimentos sobre luz e magnetismo e a publicar seus próprios artigos científicos.</p>
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Os Somervilles viviam no centro de todos os tipos de evento científico e assistiam a conferências da Royal Institution, onde cientistas como Michael Faraday, Alexander Von Humbolt e Humphry Davy conversavam com Mary como iguais. Ela foi nomeada membro honorário da Royal Astronomical Society.</p>
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E foi nesse momento que Henry Brougham, um político reformista que havia fundado uma "sociedade para espalhar conhecimentos úteis", conseguiu um emprego para o qual Mary seria a candidata ideal.</p>
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Eles se conheceram em Edimburgo e Brougham não a esqueceu.</p>
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Com seu francês fluente e profundo conhecimento de matemática, Mary foi contratada para traduzir o livro que foi aclamado como a maior conquista intelectual desde da descoberta da gravidade por Isaac Newton: <em>Mecânica Celeste,</em> do matemático e astrônomo Pierre-Simon Laplace.</p>
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<span class="legend_box ">Mary traduziu o livro de Pierre-Simon Laplace para o inglês

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<span class="credit_box ">Getty Images </span>
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Mary tinha 51 anos e sua grande carreira como escritora científica <em>best-seller </em>estava prestes a começar.</p>
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<strong>Mais do que traduzir, explicar</strong></p>
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Mary aceitou a proposta de Brougham com a condição de que a sua tradução fosse destruída se ficasse horrível.</p>
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"É claro que não ficou", disse à BBC News Kathryn Neeley, professora de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Universidade da Virgínia e autora do livro <em>Mary Somerville e o Mundo da Ciência</em>.</p>
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"Ela era uma das poucas pessoas com conhecimento suficiente para explicar não apenas o que Laplace havia realizado, mas também a série de desenvolvimentos científicos que tornaram isso possível."</p>
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O trabalho necessário não era exatamente uma tradução, mas uma interpretação para tornar o texto compreensível. Uma vez convencido da verdade de um resultado, Laplace tendia a não se dar ao trabalho de explicar o assunto em detalhes.</p>
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"Outro tradutor de Laplace havia dito que quando viu a frase ‘está claro’ no texto, ele sabia que tinha horas de trabalho pela frente para entender o que ele quis dizer", diz Neeley.</p>
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"Além disso, era impossível entender o livro sem saber o que precedeu seu trabalho, então Mary começou com uma dissertação magistral – como foi descrita na época – que sintetizava tudo o que acontecera na astronomia física até aquele momento."</p>
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<span class="legend_box "> A análise que Mary Somerville fez sobre os desvios na órbita de Urano foi a origem da investigação do astrônomo John Couch Adams que levou à descoberta de Netuno em 1846 por Johann Galle e Urbain Le Verrier

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<span class="credit_box ">BBC NEWS BRASIL</span>
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"A visão de mundo que emergiu no livro de Laplace da astronomia física era deslumbrante."</p>
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"O escopo (do que foi apresentado no livro) o conectou à ciência sublime, a ideia de que, através da Ciência, encontramos uma natureza fantástica e bela".</p>
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Mas tudo isso ficaria preso nas páginas, a menos que a pessoa que traduzisse o trabalho não apenas entendesse as palavras, mas também os conceitos, e pudesse comunicá-las.</p>
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Para Lord Brougham, uma das poucas pessoas com essas habilidades era Mary. E ele não estava errado.</p>
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<strong>Desenhando mundos desconhecidos</strong></p>
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Neeley ressalta que um dos talentos de Mary era a pintura.</p>
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Isso lhe permitiu desenhar com suas palavras mundos que os leitores não tinham visto, desde o primeiro trabalho, sobre o espaço sideral, até o último, <em>Da Ciência Molecular e Microscópica</em> (1869), que coletou as descobertas mais recentes reveladas pelo microscópio.</p>
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Desde sua primeira publicação, Mary tornou-se famosa. Primeiro ficou conhecida entre especialistas. Depois, com seus próximos livros – que não eram apenas traduções, mas textos de sua autoria – ficou cada vez mais famosa entre leitores amantes da ciência.</p>
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Seu maior sucesso de vendas foi <em>Geografia Física</em>, publicado em 1848, no qual, dizia ela, seguiu "o nobre exemplo do Barão Humboldt, o patriarca da geografia física", e adotou uma visão ampla da geografia.</p>
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O trabalho incluía a Terra, seus animais, plantas e "as condições atuais e passadas do homem, a origem, os comportamentos e as línguas das nações existentes e os monumentos daqueles que não existem mais".</p>
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<span class="legend_box ">Mary também publicou trabalhos sobre geografia

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<span class="credit_box ">BBC NEWS BRASIL</span>
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O livro lhe rendeu a Medalha Victoria de Ouro da Sociedade Geográfica Real e a admiração de Humboldt, que a escreveu elogiando sua originalidade.</p>
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Ninguém teria previsto que Mary Somerville iria tão longe, dadas as condições em que ela cresceu.</p>
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Felizmente, ressalta Neeley, ela não era apenas um gênio, mas vivia numa época em que começava a reconhecer a ciência "como um fórum de conhecimento distinto, como uma fonte cultural comum, na qual valia a pena se especializar".</p>
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"As ciências não eram disciplinas ensinadas nas universidades na época em que ela escreveu <em>A Conexão das Ciências Físicas</em> (1834). E era frequente que, nas áreas que estavam surgindo, houvesse espaço para as mulheres", acrescenta.</p>
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"Se ela tivesse tentado participar ativamente alguns anos depois, teria sido muito mais difícil, porque, uma vez solidificada, a Ciência deixou de ser aberta ao seu gênero."</p>
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<strong>A rainha</strong></p>
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Mary e William Somerville se mudaram para a Itália quando ele se aposentou de seu trabalho como médico no Hospital Chelsea em 1840. Vinte anos depois, William morreu.</p>
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A intelectual apoiava causas liberais, como a campanha para as mulheres poderem votar, e uma educação de boa qualidade para as meninas.</p>
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E continuou escrevendo.</p>
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Com a ajuda de suas filhas, compilou sua autobiografia e pediu aos filhos que ela fosse publicada postumamente.</p>
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<span class="legend_box ">Em um desfile em 1911 em que sufragistas se vestiram como mulheres famosas, uma delas foi de Mary Somerville

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Mary viveu até 1872.</p>
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Nos seus últimos dias, ela escreveu: "Tenho 92 anos, minha memória para eventos comuns é fraca, mas não para experiências matemáticas ou científicas. Ainda sou capaz de ler livros de álgebra superior por quatro ou cinco horas pela manhã e até de resolver problemas ".</p>
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Em seu obituário, o jornal The Morning Post declarou: "Embora tenhamos dificuldade para escolher um rei da ciência em meados do século 19, não há dúvida sobre quem é a rainha".</p>
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Em 1879, o Somerville College da Universidade de Oxford foi nomeado em sua homenagem.</p>
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Mas, com o tempo, sua contribuição para a ciência foi quase esquecida. É muito comum que a fama seja dada às pessoas que fazem descobertas, não àquelas que conseguem comunicar brilhantemente essas realizações ao público.</p>