Marisa Monte volta aos ‘princípios’ no fecho do projeto ‘Cinephonia’ sem abrir o baú de joias raras


Capa do EP ‘Princípios (1989 – 1992) – Ao vivo’, de Marisa Monte
Reprodução
♪ ANÁLISE – Com o lançamento do EP Princípios (1989 – 1992) – Ao vivo, posto nas plataformas digitais nesta sexta-feira, 26 de junho, com áudios de seis números extraídos dos vídeos dos shows MM (1989) e Mais (1992), Marisa Monte encerra o projeto Cinephonia sem abrir de fato o baú de raridades.
No texto de apresentação do projeto, a cantora e compositora carioca revelou que, nos últimos quatro anos, passou horas às voltas com o processo de reunião de todos os dados que produziu na trajetória iniciada em 1987 com cultuados shows feitos na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
“Para isso fui em busca de um novo tipo de parceria, desta vez com arquivistas, biblioteconomistas, pesquisadores, restauradores de áudio e vídeo, técnicos em informática. Uma quantidade enorme de informação a ser organizada num trabalho gigantesco, contínuo e infinito que hoje faz parte de um arquivo virtual que mora nas nuvens, onde está toda minha obra digitalizada, catalogada, restaurada e organizada. Assistir, escutar, ter tudo isso acessível foi fundamental para que hoje eu possa colocar ao alcance do público esse material que chamei de Cinephonia”, relatou Marisa na nota oficial sobre o projeto.
Apresentados os materiais das três etapas do projeto, fica definitivamente claro que Marisa Monte tentou fazer muito barulhinho bom por nada. Ou quase nada. Já sinalizada pela primeira leva de áudios do álbum Memórias 2001 – Ao vivo, essa conclusão é reforçada com as edições completas dos 31 áudios.
Desses 31 áudios, somente um – a gravação ao vivo da música Acontecimento (Hyldon, 1975), em número captado no show Memórias, crônicas e declarações de amor (2000) – era de fato raridade por ser inédito em qualquer formato.
A questão é que Marisa Monte guarda no baú muitas joias raras que, sim, poderiam ter dado real sentido ao projeto Cinephonia. Basta lembrar que os registros ao vivo dos shows Mais (1991) e Cor-de-rosa e carvão (1994) foram fragmentados em DVDs de caráter documental, para desgosto de quem prefere ouvir somente a música.
Com Cinephonia, Marisa perdeu a oportunidade de contentar os seguidores com os áudios integrais desse dois shows fundamentais para a consolidação da carreira da artista.
Mesmo os áudios do show posterior Memórias, crônicas e declarações de amor poderiam ter sido incrementados com músicas ausentes do DVD, casos de Palavras ao vento (Moraes Moreira e Marisa Monte, 1999) e Soul by soul (Carlinhos Brown, 1998), presentes no roteiro do show e nunca disponibilizadas na voz da cantora.
Enfim, Marisa Monte manteve fechado o baú de raridades, embora tenha dado a entender o contrário ao apresentar o projeto Cinephonia com pompa que não condiz com o baixíssimo teor de novidade do material disponibilizado em áudio.