Maria Bethânia louva o velho Chico com fé na pátria brasileirinha que banha o single ‘Lapa santa’


Música de Paulo Dáfilin e Roque Ferreira é a segunda amostra do álbum ‘Noturno’, programado para ser lançado em 30 de julho. Capa do single ‘Lapa santa’, de Maria Bethânia
Divulgação
Resenha de single
Título: Lapa santa
Artista: Maria Bethânia
Compositores: Paulo Dáfilin e Roque Ferreira
Edição: Biscoito Fino
Cotação: * * * *
♪ Segundo single de Noturno, vindouro álbum de músicas inéditas de Maria Bethânia, Lapa santa apresenta música que poderia figurar em discos anteriores da artista, sobretudo em Brasileirinho (2003) e em Pirata (2006).
Apresentada pela cantora em 13 de fevereiro, em show transmitido ao vivo pela plataforma Globoplay, Lapa santa é música em que os compositores Paulo Dáfilin e Roque Ferreira louvam o rio São Francisco.
Véio Chico, aliás, era o título original da música, cujo nome definitivo, Lapa santa, alude a Bom Jesus da Lapa (BA), município baiano banhado pelas águas desse rio que carrega tanto a fé do devoto povo nordestino como as carrancas talhadas pelo artista Francisco Guarany (1845 – 1985).
Lapa santa é música talhada para Bethânia pela intimidade da intérprete com esse universo de amor, festa e devoção que irriga o Brasil de dentro. Sem ser composição imponente como A flor encarnada (Adriana Calcanhotto), música escolhida para ser o primeiro single do álbum Noturno, Lapa santa surge valorizada no disco pelo canto grave – e já naturalmente solene da intérprete – e pelo arranjo.
Perceptível já na introdução da gravação, a dramaticidade do quarteto de cordas – formado por Priscila Rato (primeiro violino), Marcio Sanchez (segundo violino), Marco Catto (viola) e Marcos Ribeiro (violoncelo) – se afina com a solenidade do canto de Bethânia.
O violão de João Camarero e o piano de Zé Manoel (também no sintetizador) – dois estupendos músicos arregimentados para a gravação do álbum Noturno – salpicam notas precisas, como bordado na gravação embasada pelo percussão do ritmista Marcelo Costa e também marcada pela pulso do baixo de Jorge Helder.
Compositores já recorrentes na discografia recente de Bethânia, Paulo Dáfilin (paulista de alma musical santo-amarense) e Roque Ferreira (verdadeiro baiano que entrou na roda para propagar o samba do Recôncavo) são hábeis tradutores musicais do Brasil que se move com fé e ritos pelos interiores desse país de dimensões continentais.
Mesmo que soe como faixa sem o devido peso para ser o segundo single de Noturno, álbum programado para 30 de julho pela gravadora Biscoito Fino, Lapa santa fortalece a devoção de Bethânia à pátria brasileirinha entranhada na discografia construída pela artista a partir de 2003. Para quem é de fé, Lapa santa tem fogo para “botar pavio no candeeiro e acender a festa no terreiro” do Brasil.