Marcelo Jeneci faz viagem afetiva pela vivência nordestina em live com o toque da sanfona


Marcelo Jeneci na live do festival ‘#CulturaemCasa’
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Resenha de live – Festival #CulturaemCasa
Artista: Marcelo Jeneci
Data: 25 de abril de 2010, das 21h30m às 23h
Cotação afetiva: * * * * *
♪ “É emergencial a gente se conectar com a terra”, ressaltou Marcelo Jeneci ao repetir diversas vezes em live o verso-síntese de Emergencial, canção que compôs com Paulo Neves, Mana Bernardes e José Miguel Wisnik e que foi gravada pelo artista paulistano no terceiro álbum, Guaia (2019).
Na live feita por Jeneci na noite de sábado, 25 de abril, dentro da programação do Festival #CulturaemCasa, Emergencial foi apresentada pelo artista ao piano e caracterizada como “uma música para esse momento”.
O momento a que se referiu o cantor e compositor é obviamente o tempo presente vivido pela humanidade diante da pandemia do coronavírus – motivo que levou Jeneci a propagar iniciativas solidárias que buscam minimizar os efeitos da covid-19 no Brasil.
Na apresentação, o músico se alternou entre o piano e a sanfona, mas foram as teclas do acordeom que deram o tom da viagem afetiva feita por Jeneci pelas vivências nordestinas no agreste de Pernambuco. Embora tenha nascido em Guaianases, bairro da periferia da cidade de São Paulo (SP) que inspirou o título do terceiro álbum do artista, Jeneci também se formou musicalmente no sertão nordestino.
Foi influência direta do pai, Manuel Jeneci, morador de Caruaru (PE) a quem o filho se referiu com orgulho na live pelo fato de Manuel ter amplificado o som da sanfona ao eletrificar o instrumento – proeza que facilitou a vida de muitos acordeonistas Brasil afora.
Marcelo Jeneci também toca teclados em live que teve números levados na sanfona
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Essa vivência pernambucana justificou o roteiro pontuado por músicas de compositores do estado, casos de Como dois animais (Alceu Valença, 1982), cantada em tom lânguido, e de Tenho sede (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1975), tema apresentado já ao fim da live de hora e meia.
Bem antes, como legítimo herdeiro de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), Jeneci pegou o acordeom, gritou um “Viva Caruaru!” e cantou Sanfona sentida (1973), parceria de Dominguinhos (1941 – 2013) com Anastácia que ganhou a voz do Rei do Baião no álbum Capim novo (1976).
Na sequência, ainda com o toque da sanfona, Jeneci deu voz ao arretado baião-xote Oxente, composto por Chico César e lançado por Elba Ramalho no álbum O ouro do pó da estrada (2018) um ano antes de o autor registrar a música no próprio álbum Guaia.
Além da nação nordestina, Jeneci atendeu pedidos para cantar Pra sonhar (2010) – tema autoral que tem sido a trilha sonora de vários casamentos – e tocou trecho instrumental da canção Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971) ao piano para ilustrar história vivida na infância que indicou o futuro do artista no caminho da música.
Na voz do cantor, a novidade foi Eu vi (2002), abordagem em português de J’ai vu (2000), canção de Henri Salvador (1917 – 2018) e Michel Modo (1937 – 2008), vertida por José Miguel Wisnik e lançada em disco há 18 anos pelo parceiro de Jeneci.
Paulistano que traz entranhada na obra a vivência nordestina, Marcelo Jeneci sabe que a música desconhece fronteiras na conexão com a terra.