Mãe tamanduá-bandeira, carregando filhote nas costas, é flagrada em área de reflorestamento em Presidente Epitácio; veja VÍDEO


Registro foi feito pelo ambientalista Djalma Weffort, que explicou ao g1 que a aparição da espécie é reflexo de restaurações florestais e dos corredores ecológicos no Oeste Paulista. Mãe tamanduá-bandeira carrega filhote nas costas no parque da Apoena, em Presidente Epitácio (SP)
Uma mãe tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), carregando um filhote nas costas, foi flagrada em uma área de restauração florestal do parque da Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena), em Presidente Epitácio (SP). O registro em imagens foi feito pelo ambientalista e também presidente da Apoena, Djalma Weffort, nesta segunda-feira (4) (veja o vídeo acima).
A espécie tinha desaparecido da área havia muitos anos e, agora, está retornando aos poucos. Ao g1, Weffort explicou que isso tem acontecido de uns tempos para cá, há aproximadamente quatro anos, em decorrência da restauração florestal que é feita na área, que é o que tem possibilitado a volta da fauna silvestre.
“Antes dessa restauração, isso nunca tinha acontecido. De uns quatro anos para cá, já tínhamos visto algumas pegadas, mas essa foi a primeira vez que tivemos a sorte de ver pessoalmente o animal”, falou o ambientalista.
A aparição do tamanduá-bandeira, segundo Weffort, significa que o animal tem voltado a se sentir seguro e protegido naquela área.
“A restauração da vegetação permitiu que a mãe se sentisse segura para vir com o filhote em busca de alimento. Ela estava andando tranquilamente, em nenhum momento se mostrou amedrontada ou coagida. A vegetação em volta contribuiu muito com isso. Caso não tivesse a vegetação, provavelmente ela teria fugido”, explicou ao g1.
Mãe tamanduá-bandeira carrega filhote nas costas no parque da Apoena, em Presidente Epitácio (SP)
Reprodução/Djalma Weffort
Ainda de acordo com o presidente da Apoena, a volta do tamanduá-bandeira é reflexo dos reflorestamentos e dos corredores ecológicos que estão sendo implantados no Oeste Paulista, demonstrando que a restauração florestal é importante para a fauna e que o local tem se tornado seguro para os animais.
“Nossa proposta é, justamente, replicar as restaurações em toda a nossa região, fazer esse trabalho em larga escala”, ressaltou Weffort.
Além da comprovação da importância do reflorestamento, o ambientalista afirmou que o registro também foi um momento de muita emoção.
“É a recompensa pelo trabalho, é a melhor retribuição que a gente poderia ter. Estava fazendo uma caminhada e escutei alguns barulhos de galhos, foi quando a vi. Fiquei de longe vendo ela encontrar um novo habitat, onde antes ela não se sentia segura”, enfatizou ao g1.
Olfato apuradíssimo
A espécie tem distribuição em campos e cerrados das Américas Central e do Sul, desde a Guatemala até a Argentina.
São insetívoros. Comem apenas formigas e cupins. Abrem os cupinzeiros e os formigueiros com as garras poderosas. Eles introduzem a longa língua, com diâmetro entre 1cm e 1,5cm, que pode se projetar a 60cm para fora da boca. Os insetos ficam grudados na língua e, desta forma, o animal apenas os engole.
Mãe tamanduá-bandeira carrega filhote nas costas no parque da Apoena, em Presidente Epitácio (SP)
Reprodução/Djalma Weffort
Os tamanduás-bandeira são os únicos mamíferos terrestres que não possuem dentes. Os tatus e preguiças possuem dentes incompletos, sem a presença de esmalte. Seu comprimento da cabeça e do corpo é de 1 a 1,2 metro. Só de focinho são quase 45 centímetros e tem ainda a cauda, com 60 a 90 centímetros. A cauda tem pelos longos que formam uma espécie de bandeira, o que serviu para adjetivação de nome vulgar.
Animal de hábitos diurnos, normalmente vagaroso, mas quando perseguido pode fugir em galope. O famoso abraço de tamanduá, tido como símbolo de traição, é praticamente a única defesa desse animal desajeitado e de visão e audição muito limitadas. O melhor sistema de alerta do tamanduá-bandeira é o olfato, que é apuradíssimo.
Ao pressentir o perigo, ele faz uso de articulações extras e levanta as patas dianteiras, apoiando o peso num tripé formado pelas duas patas traseiras e a cauda. É a posição de defesa, mas mesmo assim o tamanduá-bandeira suporta certa proximidade com o homem, sobrevivendo em áreas de lavouras e até perto de cidades.
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