Luísa Sonza lança ‘Fugitivos’ e celebra fase em que se sente leve: ‘Tão bom que chega a ser assustador’


Cantora fala sobre single com Jão que traz ‘frescor’ para ‘Doce 22’. Solteira, ela espera viver 1º carnaval na pista, mas tem dúvida se vai ser possível: ‘Me segurando para não namorar’. “Se não vão parar de falar, então vou dar motivo” é o primeiro verso de “Fugitivos”, música que Luísa Sonza lança em parceria com Jão nesta terça-feira (2). A energia também combina bem com a nova fase de vida cantora.
Depois de lançar “Doce 22”, segundo álbum da carreira, Luísa viu o amor dos fãs e a boa aceitação ao seu trabalho sobressaírem ao ódio dos ataques haters que vem sofrendo há anos e está, finalmente, feliz.
“‘Doce 22’ me trouxe um lugar em que me sinto muito leve, como nunca tinha me sentido antes na vida, nem de criança assim. Estou que nem pinto no lixo vivendo minha vida”, afirma em entrevista ao g1.
Ela comemora a escolha que fez no passado de separar o single do álbum, que saiu em julho.
“Se tivesse lançado antes, teria sido em uma época que estava ‘malzona’. Não escondi de ninguém, não escondo e agora estou no momento ‘F@d#-se! Sou mulher, menina-mulher, solteira, faço o que quiser da minha vida'”, continua.
“É aquela música jovem, inconsequente e fala sobre isso, fala sobre querer se arrepender, sobre viver os seus 20 e poucos anos. Ela é o frescor que faltava no álbum”, explica.
Luísa Sonza e Jão no clipe de ‘Fugitivos’
Divulgação/Felipegrafias
Ela ainda cita a Sandy & Júnior como referência para o pop de violão, “com cara de anos 2000”, que fez com Jão e o produtor Douglas Moda.
Animada para os próximos meses, Luísa fala da expectativa de voltar aos palcos com a turnê de “Doce 22” e de como o fim do namoro com Vitão fez com que ela escrevesse músicas ainda mais tristes do que “Penhasco”, uma das faixas mais melancólicas do álbum. Leia entrevista abaixo.
g1 – Me conta sobre “Fugitivos”. Qual foi o ponto de partida desse encontro com o Jão?
Luísa Sonza – Convidei o Jão para escrever quando estava no “camping” [tempo em estúdio compondo e produzindo] o “Doce 22”. A gente não se conhecia como pessoa, era mais como artista, sabe?
Ele chegou lá em casa com metade da música pronta e, na hora, eu amei. Por incrível que pareça a gente não tinha conversado muito sobre as referências nem nada, mas pensamos exatamente na mesma coisa.
Essa música é muito Sandy & Junior, é a legítima música para escutar no carro com a cabeça pra fora da janela ou no teto solar e com os amigos do lado. Por isso que penso muito nessa música para ser cantada no show, para a galera cantar o refrão.
É aquela música jovem, inconsequente e fala sobre isso, fala sobre querer se arrepender, sobre viver os seus 20 e poucos anos. Ela é o frescor que faltava no álbum, então estou muito feliz que calhou de ser lançada agora e faz todo sentido com o momento que estou vivendo agora.
g1 – Eu ia te perguntar isso, porque parece que a música casou com essa fase que você está vivendo agora, né?
Luísa Sonza – Total. Parece que o universo faz tudo do jeitinho que tem que ser, sabe? Decidi bloquear essa música e tornar single para lançar em novembro, mas não sabia que ia estar nesse momento agora da minha vida…
Se tivesse lançado junto com o álbum, teria sido em uma época que estava “malzona”. Agora estou em no momento “sou mulher, menina-mulher, solteira, faço o que quiser da minha vida”. Amo cantar e lançar uma música vivendo aquilo, sentindo aquilo.
g1 – Você vem de uma onda de muitos ataques haters e é um movimento que já dura anos. É muito bom te ver feliz assim. O que mudou?
Luísa Sonza – É muito boa a sensação de ter o seu trabalho sendo aceito, quase que como unanimidade. É tão bom que chega a ser assustador, não sei explicar. “Doce 22” me trouxe um lugar que me sinto muito leve, como eu nunca tinha me sentido antes na vida, nem de criança assim. Estou que nem pinto no lixo vivendo minha vida.
Me tornei essa artista que consegue passar verdade e visceralidade para o público na hora que era para ser e no momento certo. Rola só essa pressãozinha de não querer perder isso, não querer que a galera me odeie de novo.
Eu falo “galera, por favor, continua me amando”. Não sei se foi o álbum, mas [o fato do ] público ser amoroso, me entender, entender meus defeitos também. É muito gostoso se sentir aceito na sociedade, qualquer pessoa quer isso.
Luísa Sonza na festa de lançamento do clipe de ‘Fugitivos’, single em parceria com Jão
Reprodução/Twitter
g1 – Esse sentimento de “quero viver a vida” também casa com o momento que estamos vivendo da pandemia. Com a vacinação, tem uma euforia de vida voltando, encontros se tornando mais possíveis, shows sendo remarcados. Qual é a sua expectativa para os próximos meses?
Luísa Sonza – Essa minha felicidade vem muito disso de ver as coisas melhorando. Tomar a segunda dose da vacina, ver show sendo marcado… Isso trás também essa euforia que acho que todo mundo está começando a sentir essa ansiedade positiva de ver as coisas voltando ao normal.
Sempre falo com a minha equipe “Já pensou a gente fazendo turnê e as pessoas cantando ‘Doce22’ ao vivo com uma multidão cantando?” Na hora, eu começo a chorar assim.
Minha expectativa é fazer muito show, mas também, nesse momento, estou bem “Fugitivos”. Quero ser jovem, aproveitar tudo que trabalhei no álbum, curtir, porque quando lancei o álbum, eu consegui curtir, mas não estava bem.
Estava feliz, mas ainda tava com muita pressão, com medo. Não estava em um momento incrível, estava em um momento muito difícil, na verdade. Chorei os 15 dias antes inteiros com um misto de sentimentos. Agora que estou olhando para o álbum e tendo orgulho dele. Não tinha me permitido isso ainda.
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g1 – Você ainda vai lançar duas músicas do “Doce 22”, uma delas com a Ludmilla. Dá para dizer que “Café da Manhã” tem potencial para hit do próximo carnaval?
Luísa Sonza – Vai tocar com certeza. Ela tem um pouco do estilo de “Modo Turbo”, se eu pudesse comparar assim. Ela é funk, mas tem uma batida mais pra frente ainda e é com a Ludmilla, né? Com certeza vai ser uma música que vai tocar no carnaval.
g1 – Depois de lançar o álbum, você chegou a escrever músicas novas? Como está o pós-‘Doce 22’ no sentido de composição?
Luísa Sonza – Logo quando lancei o álbum, eu já estava muito na pilha de já lançar outro. Foi estranho trabalhar, trabalhar, trabalhar e depois parar tudo… O Doug [Moda], meu melhor amigo e produtor, falou: “Agora, para, é ócio criativo”. Mas, mesmo assim, eu escrevi duas músicas de sofrência absurda.
g1 – Tipo “Penhasco”?
Luísa Sonza – Piores que “Penhasco”. Foi logo depois que terminei o meu último relacionamento… Teve isso ainda, né? Lancei meu álbum e ainda terminei meu relacionamento, então estava um caco. Escrevi essas duas porque precisava botar para fora imediatamente o sentimento que estava sentindo, porque achei que ia morrer de amor.
Tem uma música que comecei que diz “Pra quem disse que não se morre de amor, vocês chamam isso de viver?”. Eu estava tipo isso, mas logo depois falei: “Para”. Chamo o momento de agora de “estou vivendo para contar história depois”.
Capa do álbum ‘Doce 22’, de Luísa Sonza
Divulgação
g1 – Você tweetou outro dia que não dá 3 meses para estar namorando outra vez. É brincadeira ou você se apaixona fácil mesmo?
Luísa Sonza – Sou uma pessoa que me adapto a situações. Por mim, eu estava namorando, mas não dá para namorar. Na época que a gente terminou não foi escolha minha, então eu falei “tudo bem, vou ficar solteira, preciso ficar solteira um tempo”.
Mas eu sou uma pessoa que ama namorar, por mim, eu estou sempre namorando. Gosto de uma troca mais profunda.
Estou me segurando, juro que estou me segurando para não namorar. Mas também estou amando essa liberdade… Acho que não tinha provado ainda dessa liberdade de ser solteira, de ir e vir, ficar com quem eu quiser, na hora que quiser”.
E fui super hipócrita né? Lancei “Melhor sozinha”, mas nunca fiquei sozinha, sempre estou namorando. Sou muito canceriana, me apaixono a cada dois dias, daí logo depois deixo de ficar apaixonada…
Não sei, é bem provável que eu namore, mas vou segurar agora. Nunca passei um carnaval solteira, por exemplo.
g1 – Dá para aguentar, vai… Quatro meses.
Luísa Sonza – Ah, são quatro meses só? Acho que aguento então [risos].