Luciana Mello passa sufoco ao regravar sucesso de Alcione


Cantora cai na armadilha do ‘cover’ em single com abordagem meramente correta do samba lançado em 1978. Capa do single ‘Sufoco’, de Luciana Mello
Divulgação
Resenha de single
Título: Sufoco
Artista: Luciana Mello
Compositores: Chico da Silva e Antônio José
Gravadora: Edição independente da artista / ONErpm (distribuição)
Cotação: * * *
♪ Projetada em escala nacional em 1975, ano em que foi apresentada pela gravadora Philips como “a voz do samba” em bem-sucedido primeiro álbum, Alcione consolidou o sucesso e a carreira fonográfica três anos depois com a edição em 1978 do disco Alerta geral.
Este álbum elevou a cantora maranhense a outro patamar na indústria do disco por conta do retumbante sucesso nacional de Sufoco (Chico da Silva e Antônio José, 1978), samba então inédito que apontou para a veia romântica que iria pulsar com força na discografia da cantora, sobretudo a partir dos anos 1980.
A interpretação de Alcione para Sufoco se impõe ainda hoje como um dos melhores momentos da carreira fonográfica dessa grande cantora. O que somente dificulta a missão da qual Luciana Mello se incumbiu.
Dois meses após ter lançado single com regravação de Como um caso de amor (André Renato e Ronaldo Barcellos, 2011), samba lançado na voz de Arlindo Cruz e revivido por Luciana com os toques de músicos como Carlinhos Sete Cordas e Mauro Diniz (cavaco), a cantora paulistana volta ao disco com abordagem de Sufoco.
Em que pese o peso do time de músicos arregimentados para a gravação lançada em single na sexta-feira, 7 de fevereiro, Luciana Mello passa sufoco por cair da armadilha do cover ao reviver o samba de 1978.
Falta uma centelha de originalidade ao registro de Sufoco na voz da artista. Com Luciana, o tristonho samba ressurge em abordagem correta, com as mesmas intenções da gravação de Alcione, mas sem a voz de Alcione. O que significa que, a rigor, o single Sufoco nada acrescenta à discografia de Luciana Mello.