Live de Caetano Veloso e Xande de Pilares revela drama de filha de compositor com Covid



‘Achei que fosse perder minha filha’, diz Gilson Bernini, um dos autores de ‘Tá escrito’. Ele viu a filha Elis, de 3 anos, ir parar na UTI duas vezes por causa da doença. Gêmea Isadora conseguiu se tratar em casa. VÍDEO: Em live, Caetano faz homenagem para filha de um dos compositores de “Tá escrito”
Um dos momentos aguardados da live de Xande de Pilares com a participação de Caetano Veloso na segunda-feira (22), a interpretação da música “Tá escrito” revelou também um drama vivido por um dos compositores da obra.
Gilson Bernini, que ajudou a cunhar os versos “quem cultiva a semente do amor, segue em frente não se apavora”, passou por uma prova de fogo ao ver suas duas filhas gêmeas, Elis e Isadora, de 3 anos, doentes com Covid.
Elis, filha do compositor Gilson Bernini, que foi parar na UTI duas vezes por causa da Covid
Reprodução/Arquivo pessoal
As meninas começaram a apresentar sintomas da doença no dia 20 de fevereiro, uma semana depois de voltarem a frequentar a escola. No dia 22, Gilson e a mulher Alessandra foram parar na emergência com as crianças. Isadora foi liberada para se tratar em casa, mas Elis foi direto para a UTI.
Gilson com as filhas Elis e Isadora, e a mulher Alessandra: susto com as gêmeas
Reprodução/Redes sociais
“Até então não sabíamos que era Covid. Só fomos ter certeza quando ela teve alta, no dia 1º de março. Fomo orientados a procurar um pneumologista para ver possíveis sequelas, fizemos isso, mas no dia 10, a Elis sentiu-se mal e foi parar no hospital novamente”, lembra Gilson.
Mais uma vez, o destino foi a UTI. Com o organismo fragilizado da primeira internação, Elis passou por momentos difíceis no hospital
“Ela teve broncoespasmo, que é o fechamento dos brônquios e dos bronquíolos, teve que ir para o oxigênio e ficou bem grave”, lembra a mãe da menina, Alessadra Bernini, que, além da preocupação com a filha internada, ficava aflita com Isadora, que ficou sob os cuidados do pai.
‘Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé…’
Gilson também viveu o mesmo sentimento só que do outro lado da situação.
“Cuidava da Isadora, pensava na Elis e tentava me manter positivo. Eu perdi um filho do meu primeiro casamento em um acidente de carro e tremia em pensar em viver essa dor de novo. Achei que fosse perder minha filha”, diz ele que nos momentos de maior apreensão com a filha, fez o que os versos de “Tá escrito” pedem.
“Essa música foi um divisor de águas na minha carreira, e já recebi mensagem de muita gente dizendo que ela foi um mantra, uma ajuda em momento de dificuldade em suas vidas. Pensei: se valeu na vida delas, tem que valer na minha vida também”, diz elegendo os versos “Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé, manda essa tristeza embora” como os mais fortes para seguir com esperança de ver a filha com saúde.
Tanta energia positiva dos pais e amigos deu certo e Elis teve alta na segunda-feira (22), o dia da live de Xande e Caetano.
Depois do susto, Gilson e Alessandra ainda pretendem fazer um tratamento para evitar sequelas ou doenças oportunistas nas meninas e mandam um recado sobre a ideia errônea de que crianças não se contaminam com Covid.
“Durante a internação da Elis, muita gente vinha me perguntar abismada se era Covid mesmo porque tinha ouvido falar que criança não pegava a doença. Sim, pega e pode evoluir para uma forma grave. Aliás, pega em todo mundo: homem, mulher, jovem, velho. As pessoas têm que se cuidar o máximo possível. Aqui é casa o cuidado está redobrado”, diz Alessandra.
Já Gilson, depois do susto, quer transformar tudo o que sentiu no que sabe fazer melhor: música.
“Respiro música, vivo música e não perderia a oportunidade de transformar tudo isso em música. Já comecei a fazer umas coisas aqui, e ela vai falar sobre como a fé venceu o medo, que eram as palavras que mais vinham no meu coração nos momentos difíceis”, diz.
Gilson com a mulher e as filhas: depois do susto, experiência vai virar música
Reprodução/Redes sociais
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