Líbano pode liberar viagens para Ghosn caso não receba processo do Japão, diz ministro


Justiça libanesa espera que autos do processo sejam enviados em até 40 dias. Ghosn é acusado de fraude financeira pelas autoridades japonesas e fugiu para Beirute. Carlos Ghosn durante coletiva no Líbano
Mohamed Azakir/Reuters
O Líbano pode suspender a proibição de viagens ao ex-presidente da Nissan-Renault Carlos Ghosn caso os autos relativos ao seu caso não sejam enviados pelo Japão em 40 dias, informou em comunicado, nesta sexta-feira (10), o ministro interino da Justiça, Albert Serhan.
Fuga de Ghosn: o que se sabe até agora
Ghosn fugiu do Japão para o Líbano, seu lar de infância, no mês passado, enquanto aguardava julgamento por acusações de sonegar ganhos, quebra de confiança e apropriação indébita de fundos da empresa, todas as quais ele nega.
Sua dramática fuga tem elevado as tensões entre Japão e Líbano, onde Ghosn criticou o sistema judiciário japonês em uma entrevista coletiva de duas horas na quarta-feira, levando o ministro do Japão a emitir uma rara e forte resposta pública.
O Líbano não possui um acordo de extradição com o Japão.
Detalhes sobre a fuga de Carlos Ghosn do Japão
Aparecido Gonçalves/Rafael Miotto/G1
Mulher de Ghosn será interrogada
Em comunicado, Serhan disse que havia se encontrado com o embaixador Japonês no Líbano e reafirmado a importância do relacionamento entre os dois países.
Ele também disse que a mulher de Ghosn, Carole, será interrogada pelos promotores libaneses quando as autoridades receberem uma notificação da Interpol por ela.
“Carole estará sujeita aos mesmos procedimentos que foram feitos (com Ghosn) quando o alerta vermelho for recebido da Interpol”, disse o ministro no comunicado.
Na terça-feira, promotores de Tóquio emitiram um mandado de prisão por Carole em razão de um suposto falso testemunho relacionado à acusação de apropriação indébita contra o seu marido.
Uma porta-voz de Carole disse que ela tinha, voluntariamente, voltado ao Japão há nove meses para responder aos questionamentos de promotores e estava livre para ir sem quaisquer acusações, acrescentando que o mandado era “patético”.
Ghosn fala em entrevista exclusiva a Roberto D´Avila:
Carlos Ghosn fala sobre fuga e acusação de fraude fiscal
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