Kobra diz que é raro pintura derreter; equipe dele irá restaurar obra de R$ 400 mil em Boa Vista


Idealizada por Eduardo Kobra, pintura em mural de parque foi feita por equipe do artista. “Obviamente, fiquei triste e chateado porque tenho apreço e muito cuidado pelos meus trabalhos”, disse. Pintura assinada pelo artista Eduardo Kobra está deteriorada após quatro meses
Vanessa Fernandes/G1 RR
O artista brasileiro Eduardo Kobra afirmou que é raro uma pintura desmanchar em curto tempo, como aconteceu com mural assinado por ele no Parque Rio Branco, em Boa Vista. Ele disse ao G1 nesta quarta-feira (21) que uma equipe fará a restauração da obra na próxima semana.
Com custo de R$ 400 mil aos cofres públicos de Boa Vista, a pintura desmanchou em menos de quatro meses após a inauguração do parque, em 20 de dezembro do ano passado.
Kobra, artista com obras no Brasil e no exterior, disse que o que ocorreu “não é algo comum”. O desenho foi idealizado por ele e pintado no parque por uma equipe. Ele afirma que o desmanche e o trabalho remoto foram fatos inéditos em três décadas de carreira.
“Estou há 30 anos pintando nas ruas, tenho murais em cinco continentes. Só em Nova York, tenho 20 murais –50 nos Estados Unidos. É uma coisa que já faço há muito tempo.”
“Obviamente, fiquei triste e chateado porque tenho apreço e muito cuidado pelos meus trabalhos. Eu até criei um projeto, ‘A Arte de Restaurar’, em que estou restaurando murais antigos, feitos há 8 ou 10 anos e que precisam de restauração. Mas o que aconteceu aí é raro, não é algo comum”, disse o artista.
Mural no Parque Rio Branco é assinado pelo artista brasileiro Eduardo Kobra
Vanessa Fernandes/G1 RR
O artista não fez o trabalho presencial no muro de 180 metros porque estava isolado em casa. A assessoria dele informou que este foi a primeira obra feita por ele de forma remota.
Kobra, de 45 anos, afirma ter problemas pulmonares desenvolvidos pela intoxicação de tintas e que, por isso, evita contato para não ser contaminado pelo coronavírus.
Não é possível ainda saber o motivo da deterioração e seria necessária uma análise para identificar as razões, afirma Kobra. No entanto, o artista acredita que fatores como excesso de sol e chuva, local de posicionamento e até a preparação do muro antes da pintura podem ter influenciado.
“Cada situação pode ocorrer de uma forma diferente, mas o meu trabalho, que está espalhado pelo mundo todo, nunca ocorre deterioração por causa da pintura em si”, explicou.
Desenho em Boa Vista foi pintado por uma equipe enviada pelo artista Eduardo Kobra
Reprodução/Instagram/Kobrastreetart
A arte da iguana gigante foi pintada em muro de concreto que abrange toda a extensão lateral do parque.
“Eu uso tinta látex acrílica, tintas em esmalte sintético e spray. Foi o mesmo material que uso para pinturas no mundo inteiro”, afirmou Kobra.
Procurada, a Prefeitura de Boa Vista, responsável pelo parque, informou por meio de nota que a situação será avaliada, mas a hipótese é que, além da exposição ao sol, o problema tenha ocorrido devido ao grande volume de chuvas na capital e à umidade no muro.
Antes e depois de iguana pintada no mural do Parque Rio Branco
Prefeitura de Boa Vista/Vanessa Fernandes/G1 RR
Pinturas no Parque do Rio Branco
O parque também possui outro espaço onde foram pintadas 34 obras de artistas locais, dentro do tema “Nosso Rio, Nossa História, Nossas Famílias”. Ao todo, a prefeitura pagou R$ 6 mil a cada um dos 25 artistas selecionados. Dessas, apenas duas tinham deterioração. Questionada, a prefeitura não respondeu se devem ser restauradas.
O Parque do Rio Branco estava em construção desde 2018, na gestão da ex-prefeita Teresa Surita (MDB). O espaço foi erguido às margens principal rio do estado, onde era o Caetano Filho, antigo “Beiral”, região que alagava no período do inverno. Lá, viviam cerca de 350 famílias que foram removidas e receberam indenização pela mudança.
O projeto de construção do espaço foi orçado em R$ 134,4 milhões –desses, R$ 104 milhões foram repassados pelo Ministério do Turismo e o restante foi uma contrapartida do município. A prefeitura, no entanto, não informou se esse valor sofreu alguma alteração ao longo dos três anos de obra.
Obra de artista local no muro do Parque Rio Branco
Polyana Girardi/G1 RR