Karol G, ser a maior diva do reggaeton não é o bastante? A ‘bichota’ quer mais que isso em novo álbum


Em ‘KG0516’, ela canta sobre sensualidade e poder, com muitas parcerias e sucessos ‘Bichota’ e ‘Ay, Dios Mío’. Planos para 2021 incluem parceria com brasileira e papel na TV ou cinema. G1 entrevista Karol G
Karol G teve um 2020 espetacular em cifras: sua música “Tusa”, parceria com Nicki Minaj, foi a canção latina número 1 nas paradas, e ela se tornou a cantora latina mais ouvida do ano.
O sucesso da música e o encerramento forçado por causa da pandemia de Covid-19, aliados à inquietação da colombiana de 30 anos, fizeram com que ela abandonasse um álbum praticamente pronto e escrevesse, do zero, seu novo lançamento: “KG0516”, do fim de março. Ouça no podcast abaixo:
Nascida Carolina Giraldo Navarro em Medellín, Colômbia, ela comemora, de sua casa em Miami, a viagem que foram os últimos 16 anos como a artista Karol G. O titulo é uma celebração à data em que seus pais assinaram seu primeiro contrato: 16 de maio de 2006.
E as músicas e parcerias são uma homenagem a todos que estiveram com ela até aqui, além de um aceno para o que ela quer ser daqui pra frente.
Em “KG0516”, a cantora vai além do reggaeton e do trap latino, gêneros que alterna desde o começo da carreira. Ela mistura ritmos tradicionais colombianos, pop, R&B, bachata e até country de olho no mercado norte-americano. Tem referência a Ariana Grande, o hit “Beautiful Girl” e inspiração em Beyoncé.
Em entrevista ao G1, ela conta como o álbum nasceu de uma montanha-russa de sentimentos.
“Neste álbum, há de tudo um pouco. Comecei a trabalhar nele ano passado, quando aconteceu toda a quarentena, que nos deixaram em casa. Montei uma equipe de pessoas com as quais queria trabalhar. Eu e quatro compositores criamos todas do zero, no estúdio”.
“Eu tinha um álbum que sairia em abril ou maio do ano passado. Aí veio a quarentena e eu tive essa oportunidade de ver tudo que tinha. Então apaguei e comecei um projeto do zero porque senti que faltava alguma coisa. Quando a gente está em turnê, gravamos no avião, escrevemos músicas no avião, em um hotel ou até no local do show.”
“Porque quando você atinge esse êxito, não quer perder. E quer que tudo que faça esteja no mesmo nível de sucesso. Teve algo que rompeu desde ‘Tusa’, é por isso que esse álbum vem dela”, diz.
Karol G para o álbum ‘KG0516’
Divulgação
Quando a quarentena começou, Karol estava “no melhor momento da carreira”: Sua música dominava paradas, era a primeira vez que fazia uma turnê em estádios e arenas, e seus shows estavam quase esgotados. Ela só conseguiu fazer o primeiro, no Uruguai. “Me doeu muito. Mas talvez, sem esse tempo, não teria o que tenho hoje”.
‘Bichota’ do reggaeton
“Bichota” é um neologismo, apropriação da gíria “bichote”, usada para falar de alguém poderoso, que está com tudo. Era exatamente assim que Karol se sentia depois do sucesso internacional, conta.
Para isso, ela adaptou a gíria ao feminino, gravou o single, se intitulou a “bichota do reggaeton’ e adotou a palavra como sua assinatura musical. Hoje, a música está entre as 50 músicas mais ouvidas do Spotify.
“Com tempo de estar em casa e ver as coisas com calma, voltei a ver meus vídeos de quando era pequena, das primeiras entrevistas, dos primeiros shows e foi como reconhecer para mim tudo o que eu tinha feito. Foi como dizer a mim mesma ‘Uau, que orgulho’, como voltar a me apaixonar por mim. Fui para o estúdio e disse que queria fazer uma música que expressasse isso que estava sentindo.”
“Estava me sentindo muito feliz, poderosa, muito top. Fui ao estúdio e disse quero fazer uma música que se chama Bichota. Porque me sinto super Bichota e porque quero que, quando as pessoas escutem, se sintam sexys, atrativas e poderosas. E até antes de fazer, eu disse que seria meu próximo single, sem ter a letra, sem ter a música”, conta.
“KG0516”, terceiro álbum dela, tem toda essa atitude “bichota”. “Ocean”, de 2019, é o mais intimista da carreira, com algumas baladas e músicas mais sentimentais. “Unstoppable”, de 2017, foi o primeiro da carreira, com muita mistura de trap com reggaeton. Em todos eles, há muita sensualidade nas letras e nas músicas.
Karol G no MTV EMA 2020
Rodrigo Varela/MTV via Reuters
Mais mulheres, competição saudável
Ser mulher cantando sobre romance, independência, dinheiro e sucesso foi um dos fatores que a motivou a entrar no mercado de música latina. Karol diz que levou muito não no início da carreira (são 16 anos de estrada e só quatro com gravadora e álbuns lançados) porque era uma indústria masculina.
Em “KG0516”, ela faz parceria com diversas cantoras, de Ivy Queen, uma das primeiras do gênero, a Angeliq e Nathy Peluso, que vêm ganhando cada vez mais espaço.
Ano passado, “Tusa” se tornou a primeira parceria entre mulheres a estrear no topo da Hot latin songs, da revista Billboard. O que mostra que, talvez, o caminho esteja um pouco mais difícil nesse setor.
“Não é que não tenham muitas, mas que talvez tenha feito falta a oportunidade de expor essas artistas femininas tão grandes e tão talentosas. No começo, era muito difícil porque, quando comecei, as oportunidades eram mínimas, muito pequenas.”
“Estavam tão apegados ao fato de que eram homens os que cantavam que nem sequer parecia crível quando uma mulher queria fazer. Mas houve uma mudança super radical, eu vejo muitas artistas femininas. Cada vez vejo mais, vejo mulheres que vêm com novas propostas, cada uma um país diferente.”
“Me sinto super feliz de fazer parte deste momento onde a indústria não fala de homens e mulheres, mas todo mundo está competindo com talento. Sinto que é uma competição saudável. Falta? Falta. Mas o importante é que estamos no caminho dessa mudança.”
Ela quer mais
A cantora ficou muito supressa com o sucesso que fez em países fora da América Latina pela primeira vez. “Tudo o que passou a nível internacional com a música nos pegou de surpresa. Nós fomos número 1 na França, na Suíça, na Itália. E eu sentia que eram países que nem sequer falam nosso idioma, não devem ter ideia de quem é Karol G.”
Karol G, cantora da música tema da Copa América, elege os galãs do campeonato
Karol não sabe explicar o sucesso da música e diz que ainda não descobriu qual a “fórmula vencedora”. Ela vê como reflexo da maior abertura para o reggaeton e os ritmos e cantores latinos.
“Sinto que as pessoas estão começando a abraçar o idioma espanhol, querem aprender a falar. E além disso, sinto que nós latinos sempre fazemos música que nos põe pra dançar. Mas não existe uma onde quer que estejamos, acho que é um pouquinho disso.”
Por isso, ela apostou em ritmos que costumam fazer sucesso em países da América do Norte e da Europa. Para conquistar os Estados Unidos, lançou o single “Location”, um reggaeton country de rodeio com Anuel AA e J Balvin.
“A iniciativa de ‘Location’ foi precisamente fazer algo diferente do que estava fazendo. Chegamos a essas guitarras country, colocamos hip hop. Quando lançamos a música, os Estados Unidos eram o primeiro país que estava consumindo a canção. E segue em número 3. É incrível porque normalmente Estados Unidos está na 8ª ou na 10ªposição na lista de países que me ouvem.”
Simone & Simaria com Karol G na gravação do clipe em Las Vegas
@lasvegastourvip / Divulgação
Karol também quer conquistar de vez o Brasil. Ela veio ao país duas vezes, tem músicas gravadas com Simone e Simária e Léo Santana, mas não consegue colocar o país no seu Top 10. Para ganhar o Brasil, ela estuda quatro nomes com quem gostaria de gravar.
“Com Ludmilla, Pabllo Vittar, Luísa Sonza também. É que vocês têm muitos artistas incríveis. Obviamente com Anitta. Estamos tentando encontrar uma música grande porque achamos que se formos fazer algo, temos que romper.”
“Mas o Brasil é um país que amo, tive a oportunidade de ir duas vezes e amei. Fui nos carnavais, as melhores festas da minha vida. Sim, quero fazer algo muito grande pro Brasil.”
Karol G e Léo Santana cantam na cerimônia de abertura da Copa América 2019, no Brasil
Pedro Ugarte/AFP
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